Greca fala sobre ativos ambientais como motores da economia
Ex-prefeito de Curitiba e pré-candidato ao governo do PR, Rafael Greca esteve na cidade a convite do Fórum Desenvolve Londrina
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quinta-feira, 25 de junho de 2026
Ex-prefeito de Curitiba e pré-candidato ao governo do PR, Rafael Greca esteve na cidade a convite do Fórum Desenvolve Londrina

O ex-prefeito de Curitiba, ex-secretário estadual de Desenvolvimento Sustentável e pré-candidato ao governo do Paraná Rafael Greca (MDB) realizou uma palestra, na quinta-feira (25), dirigida a membros e convidados do Fórum Desenvolve Londrina. A cada ano, a entidade elege um tema de trabalho com o objetivo de identificar desafios e buscar soluções para o desenvolvimento sustentável do município. Em 2026, as discussões se voltam aos parques e áreas verdes e o ex-prefeito da “Capital Ecológica do Brasil” falou sobre a importância desses ativos ambientais para o futuro das cidades.
Mas ele foi além. Entre trechos da poesia de Goethe, citações à Odisseia de Homero e passagens colecionadas em sua vasta trajetória política, Greca mostrou, além de uma memória prodigiosa, que saber enxergar e aproveitar as oportunidades que se apresentam e não ter medo de inovar é a chave para o avanço do desenvolvimento econômico e social.
Durante sua apresentação, alternando entre o tom professoral e o tom de palanque, o pré-candidato ao governo do Paraná apontou problemas, propôs caminhos e, a partir das vocações do município, opinou sobre os setores nos quais poderiam ser concentrados os investimentos. O subsídio de R$ 200 milhões anuais ao transporte público, por exemplo, é visto por Greca como um problema que poderia ser contornado com o emprego do Marco Legal do Transporte Público Coletivo, aprovado neste mês pelo Senado.
Uma das diretrizes instituídas pela nova lei para modernizar o setor é possibilitar múltiplas formas de custeio, com um modelo de financiamento compartilhado entre os usuários, por meio de tarifa pública, o setor privado, via contribuições e taxas, e o poder público, a partir de subsídios e dotações orçamentárias. “Eu lhes digo que é muito (R$ 200 milhões). Porque nós subsidiamos o transporte de Curitiba, que é muito mais volumoso que o de vocês, e a prefeitura, no meu último ano, colocava R$ 80 milhões e o Ratinho dava mais R$ 50 milhões, totalizando R$ 130 milhões”, comparou.
Greca também apontou o enorme potencial energético dos resíduos do agronegócio que poderiam ser transformados em biogás para abastecer os ônibus do transporte público, o conhecimento disponível por meio de pesquisas desenvolvidas na UEL (Universidade Estadual de Londrina) e Embrapa para a produção de biofertilizantes e citou a empresa indiana de Tecnologia da Informação Tata Consultancy Services, instalada em Londrina, como uma oportunidade de criação de uma cadeia produtiva no setor. “São coisas que nós temos a obrigação de pensar, pensando naquilo que se chama horizonte que é até onde se enxerga.”
Como um pai que repreende o filho, Greca defendeu o uso de recursos para a ampliação do HU (Hospital Universitário). “Aquela carcaça ao lado do HU, é uma vergonha. Uma cidade tão pujante! Por que não se faz uma ala nova?”, questionou.
E também mencionou as obras inacabadas do Teatro Municipal. “Vocês têm uma carcaça que é um mocó hoje que seria o teatro. Não fica bom um mocó num lugar que era para ser um teatro. Fica bom um teatro num lugar que deixa de ser mocó. Vocês precisam ter as coisas inconcluídas terminadas.”
Como forma de dinamizar a economia regional, Greca listou projetos como a construção de uma ponte sobre o rio Tibagi em São Jerônimo da Serra, o Contorno Leste, previsto nas obras de concessão do novo pedágio, e a construção de uma rede de transporte metropolitano como a existente em Curitiba, que liga o município de Colombo à CIC (Cidade Industrial de Curitiba). “O operário que fica em Araucária, passa por Curitiba vindo de Colombo e para em Curitiba, na ida ou na volta, para fazer compras. Se nós começarmos com a indução de uma rede integrada metropolitana de transporte, de uma potencialização da Região Metropolitana de Londrina em torno da cidade polo que é Londrina, nós vamos começar a florescer.”
PATRIMÔNIO AMBIENTAL
Ao avaliar a “infraestrutura azul e verde” do município, como o Fórum Desenvolve Londrina chamou os rios, parques e áreas verdes, Greca ressaltou que recursos destinados às áreas verdes não devem ser vistos como gastos, mas como investimentos pela importância desses espaços para a redução de enchentes, a melhoria da qualidade do ar, a diminuição das ilhas de calor, a valorização imobiliária e os benefícios para a saúde física e mental, além da atração de novos investimentos.
Greca apresentou o conceito de “cidade esponja”, difundido internacionalmente, cujo objetivo é reter, infiltrar e desacelerar a água da chuva, utilizando como ferramentas os parques lineares, os jardins de chuva, as áreas permeáveis e a recuperação das margens dos rios. Ele defendeu ainda a inclusão dos parques na pauta de políticas públicas, destacando a sua relevância na geração de retorno econômico em razão do grande potencial para impulsionar o turismo, o comércio local e o setor imobiliário, aumentar a geração de empregos e a qualidade de vida da população.
Com uma extensa rede de fundos de vale e bacias hidrográficas estruturantes, Londrina dispõe de um “patrimônio ambiental relevante”, reconheceu Greca. Entre as ações possíveis, ele apontou o fortalecimento à proteção dos fundos de vale, a ampliação dos corredores verdes, a integração dos parques existentes e o aumento das áreas permeáveis. “Que cidade queremos deixar para as próximas gerações?”


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.


