Gravadoras entram na era digital
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sábado, 19 de agosto de 2006
Andrea Vialli<br>Agência Estado 
São Paulo - Com um atraso de pelo menos três anos - quando o serviço iTunes, da fabricante de computadores Apple, começou a disseminar a venda de canções pela internet -, as grandes gravadores finalmente cederam ao mundo digital e estão oferecendo música no formato MP3 para download no Brasil. O serviço, claro, é pago. As gravadoras se preparam para o fim do CD com capinha e encarte, previsto para daqui a dez anos.
Na sexta-feira, a Warner anunciou a criação de uma loja virtual para download de canções de artistas do seu casting, em parceria com a iMusica, site que já oferecia esse serviço no mercado, ainda que com pouca repercussão. Em junho, entrou em operação o UOL Megastore, site com o mesmo objetivo - vender a música avulsa, por um preço médio de R$ 2,49 a faixa. O valor é definido pelas gravadoras e chega a ser muito próximo ao praticado pela Apple - US$ 0,99, considerado caro para o bolso do brasileiro.
Nessas lojas virtuais, o internauta compra uma determinada quantia de créditos, que podem ser pagos através de cartão de crédito ou boleto bancário, de onde são descontados os valores das músicas escolhidas no acervo. O usuário pode gravar as músicas em CDs, executá-las no computador ou no tocador de MP3. As gravadoras estão certas de que ganharão dinheiro com o ''novo'' formato. ''Passaremos por dois anos de dificuldades até desbravarmos o mercado e o serviço ficar conhecido. Hoje, vemos a internet como uma aliada'', afirma José Éboli, presidente da Universal Music do Brasil.
Novas mídias - A major criou há um ano um departamento só para novas mídias e já disponibiliza música de seus principais artistas, como U2 e Caetano Veloso, para download no UOL Megastore. Outra fonte de renda que as gravadoras estão buscando no meio digital é o download de toques para celular. Segundo Éboli, a venda desses derivados já representa 5% das receitas da Universal no Brasil. A expectativa é de que, nos próximos quatro anos, a divisão de música digital, incluindo toques para celular e downloads, chegue a 25% das receitas. ''Para nós, é fato que o CD não dura mais que dez anos no mercado'', diz.
A Warner Music Brasil vai pelo mesmo caminho. Com o lançamento da loja virtual, a expectativa é atrair o consumidor que não quer trocar arquivos ilegalmente. ''As músicas custarão de R$ 2 a R$ 3 a faixa. Vamos oferecer conteúdo e segurança'', diz Marcelo Maia, diretor de marketing da companhia. Mas as empresas terão de investir pesado em publicidade para que esse desconhecido - o download pago - se popularize no País, de modo a fisgar o jovem internauta, acostumado a baixar álbuns e mais álbuns da internet totalmente de graça - ainda que ilegalmente, por meio de programas de compartilhamento de arquivos como o eMule, Kazaa e Shareaza.
A UOL prepara uma megacampanha publicitária, que começará a ser veiculada no mês que vem em rádio, TV, revistas e jornais, para divulgar os serviços da UOL Megastore, que deve fechar 2006 com um acervo de 500 mil músicas para download. A campanha terá como foco a segurança do download pago e o combate à pirataria. ''As pessoas 'do bem' vão ter a opção de comprar música pela internet. O negócio veio para ficar'', diz Gil Torquato, diretor corporativo do UOL.
Para João Marcello Bôscoli, um dos sócios da Trama, que desde 1998 vem apostando na internet como meio para difundir artistas da música brasileira contemporânea, as grandes gravadoras estão tendo uma postura reativa. ''Elas não acordaram para a música digital, ainda estão em sono profundo. Só começam a vender download porque não tem outro jeito.''


