A conquista da posição de ''país seguro para investimentos'' (investment grade), anunciada nesta semana pela agência de classificação de risco Standard & Poor's, vai beneficiar diretamente os cidadãos no médio prazo. Isso vai ocorrer porque deverá haver uma maior geração de empregos e, consequentemente, de renda para os trabalhadores. Isso será possível porque a classificação deve atrair maior volume de investimentos diretos de capital estrangeiro. ''Se a economia dos Estados Unidos e da Europa têm apresentado pouco crescimento, para os investidores pode ser mais interessante investir no Brasil e nos outros Países com maior crescimento econômico'', avalia o economista Azenil Staviski, professor da UEL.
Segundo ele, até mesmo o capital especulativo - estimado em dois terços do total do capital estrangeiro presente no País - pode vir a se tornar investimentos diretos. ''Pelo menos essa classificação não vai forçar a saída do capital externo e os investidores podem optar pelo investimento'', comenta. Outra vantagem do novo status brasileiro será a queda do custo para captação de recursos no exterior para empresas e governo. Isso significa uma redução na taxa de juros para empréstimos firmados em outros Países. Se algum financiamento for feito pelo governo beneficia diretamente a todos os brasileiros, que receberão as melhorias a um custo (juros) de empréstimo mais baixo.
Se o dinheiro for tomado por empresas, o benefício recai sobre a própria atividade porque os empresários ficarão com mais recursos para investimentos a um custo mais baixo e isso também pode ser traduzido em mais empregos e renda. Ele acrescenta que desde 1999 - com a implantação do Plano Real e a estabilidade da economia - o País ficou mais propício a receber capital produtivo. Também atraiu capital especulativo. ''Também deverá ocorrer aumento do capital no mercado secundário e os títulos de renda fixa e variável'', explica. Títulos de renda fixa podem ser negociados no mercado financeiro como debêntures (títulos das companhias S.A.), o que pode capitalizar mais as empresas com ações negociadas em bolsas de valores.
A consequência negativa - e a mais esperada no curto prazo - da conquista de ''País seguro'' será amargada pelos exportadores. Isso vai ocorrer porque a entrada de mais capital estrangeiro deve resultar na valorização do real em relação ao dólar, o que aumenta a dificuldade para competir no mercado externo. Por outro lado, essas indústrias podem ser beneficiadas com a importação de matérias-primas ou equipamentos a um custo mais baixo. Além disso, o governo terá que policiar os gastos públicos porque será mais cobrado para isso pelo próprio mercado, também uma condição do título. ''O governo terá que qualificar melhor os gastos públicos, terá que gastar apenas o extremamente necessário e cortar desperdícios que não gerem benefícios à sociedade'', observa o economista.
Ele também avalia que o título pode agilizar a reforma tributária, desonerando empresas e consumidores. ''A reforma não deve provocar queda na arrecadação, que pode ser compensada pela eficiência do governo. Os tributos não podem prejudicar a produção. A economia já arca com um grande percentual de impostos indiretos (tributos sobre a produção e o consumo) e que pesa sobre a população mais pobre'', afirma. Outro ponto que terá que ser discutido é o endividamento interno. ''Deve ocorrer um impasse porque a taxa de juros terá que ser rediscutida e a relação cambial também será melhorada, mas a inflação pode subir'', diz Staviski.
Para conter a apreciação do real, o governo terá que continuar a promover leilões de compras de dólar, mas não tem caixa para isso, segundo o economista. ''O governo terá que emitir títulos, mas isso pode aumentar o endividamento'', diz.

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