Grãos se transformam em nova moeda na Argentina
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de setembro de 2002
Agência Estado 
Buenos Aires - Os grãos estão se convertendo em uma nova moeda, como consequência da instabilidade econômica, do risco que significa depositar dinheiro nos bancos e do regresso da inflação. Os grãos podem representar uma entrada de US$ 2,2 bilhões na Argentina, é um dinheiro que está fora do ''corralito'', um dinheiro vivo que vai direto para os produtores, diz o jornal La Nación, na sua edição de ontem (1).
O que diferencia os grãos das demais moedas que circulam na Argentina como os Lecops, los patacones e o resto, é que eles são conversíveis em dólares, uma vez que a maior parte da produção agricola do país é exportada.
Segundo estimativas do analista de mercado Pablo Adreani, hoje no campo estão armazenados grãos que equivalem a US$ 2,2 bilhões. Os cereais e as oleaginosas plantados podem ser consideradas reservas de valor ou até instrumento de pagamento. O especialista afirmou ao La Nación que ''nunca nos últimos meses os produtores utilizaram tanto os grãos para comprar implementos agricolas, camionetas, fertilizantes e herbicidas, entre outros produtos.''
Até em congressos de produtores, o valor da inscrição é cotada em alguns ''quintales'', uma medida usada na Argentina e que equivale a quatro arrobas.
''Antes se pagava com cheque, mas isto está mudando agora. Agora se paga em grãos. Há algum tempo vendíamos 1.500 toneladas de trigo e, com a sua entrega, recebiamos o equivalente em agroquímicos'', disse o produtor Raúl Weiss, citado na reportagem do La Nación.


