Grãos e carnes também estão em alta
A seca que castigou os hortifrútis também influenciou no preço dos grãos. Quebra no Brasil, redução de área plantada nos Estados Unidos e expectativa de produção menor nas próximas safras elevaram os valores das commodities. "Todos os grupos de alimentos tiveram aumento de preço por causa das condições climáticas ou mudanças na situação de oferta e demanda mundial", afirma o professor universitário e economista da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Eugenio Stefanello.
Segundo ele, a inflação dos alimentos poderia ser pior se não houvesse uma tendência de reversão no câmbio, com o dólar ficando mais próximo de R$ 2,20. "Se continuássemos no patamar de R$ 2,45, a situação seria bem mais feia", alega.
De acordo com Stefanello, devido à perspectiva de aumento da produção, o preço do trigo, que tem impacto sobre vários outros, ficará estabilizado, com possibilidade de queda nos próximos meses. "Já a soja deverá ficar com preço elevado até pelo menos o início da entrada da safra americana, lá por setembro ou outubro", explica.
Expectativas de uma safra de milho não tão promissora no Brasil e redução da área plantada nos Estados Unidos, segundo o economista, manterão os preços elevados desse grão. "Pode começar a cair também com a chegada da safra americana", declara.
Carnes e leite, de acordo com ele, não vão baixar em curto prazo. "O aumento da exportação (bovina) no ano passado e o efeito da seca sobre a pastagem levaram ao aumento do preço da carne", afirma. Da mesma forma, aconteceu com o leite. "O leite ficará com preço elevado pelo menos até o fim do inverno", declara.
O economista diz que o Brasil entra no quinto ano de inflação mais próxima do topo da meta estabelecida pelo Banco Central, de 6,5%. "Parece que a inflação alta voltou a se enraizar na economia brasileira. Não vai ser fácil o governo trazê-la de volta para o centro da meta (4,5%), até porque ele não faz os cortes de gastos públicos que deveria fazer", afirma. (N.B.)





