Grão garante a economia de Paranaguá
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de março de 1999
Carmem Murara 
A notícia de que Paranaguá receberá uma das maiores safras de soja dos últimos anos deixa a cidade na expectativa de retomar a economia local, que anda enfraquecida com a estagnação na economia. Comerciantes e industriais estão prontos para receber clientes que aproveitam a injeção indireta de dinheiro da safra para fazer suas compras. A avaliação da Associação Comercial de Paranaguá é de que 90% da economia do município vive do Porto.
Nossa maior felicidade foi saber que já está contratada a venda de 1 milhão de toneladas de soja. Sabemos que tem 21 navios prontos para atracar no porto, diz, entusiasmado, o presidente a ACP de Paranaguá, Alceu Claro Chaves. Para o comércio varejista, soja no porto representa mais dinheiro no bolso dos trabalhadores portuários e como consequência direta mais venda nas lojas, bares e restaurantes.
Os moradores de Paranaguá costumam dizer que basta olhar para o centro da cidade para saber se é época de escoamento de soja, entre março e outubro. Quando as ruas estão cheias e há movimento nas lojas, pode saber que estamos no meio da safra, ensina Chaves. Fora do período da safra, os números no comércio são negativos. As vendas caíram 10% em fevereiro em relação ao mesmo período no ano passado. Para março e abril, os comerciantes estimam um aumento superior a 20% sobre os primeiros meses do ano.
Com a modernização dos portos em todo o País, houve uma redução da contratação de mão-de-obra, mas em períodos de safra a oferta de trabalho dobra para os portuários, informa o Sindicato dos Trabalhadores do Porto. São 70 operadoras portuárias que passam a contratar funcionários. Há ainda a movimentação de caminhoneiros que passam boa parte da semana parados na cidade, representando mais vendas no comércio, restaurantes e bares.
O município vive uma crise de emprego. Segundo a Associação Comercial, o nível de desemprego atinje 18% da população economicamente. Paranaguá tem cerca de 150 mil habitantes.


