Granjeiros recebem crédio de emergência
Há 50 dias acampampados em frente ao frigorífico de Cascavel, eles aguardam a reabertura da indústria
Paulo Pegoraro
Edson MazzettoProvidencialPrefeito Salazar entrega cheque para a produtora Nair Pazini: Estado reconhece crise dos granjeiros Avicultores do Oeste e Sudoeste paranaense que forneciam frangos para o frigorífico de Cascavel do grupo catarinense Chapecó, inativo há cinco meses, já estão recebendo dinheiro do governo do Estado, a fundo perdido, para que possam garantir a subsistência e pagar pequenas contas. Para 363 famílias, de vários municípios, foram destinados R$ 139.904,00, referentes a duas parcelas, e outras virão a seguir.
Os cheques, com o valor de cada município, haviam sido entregues na semana passada pelo governador Jaime Lerner (PFL), em Cascavel, a prefeitos municipais, para que o repasse ocorresse através das prefeituras, por questões legais. Em média, cada família está recebendo R$ 387,00, que correspondem aos dois meses após o governo ter se comprometido a este socorro emergencial. A partir de agora, os repasses devem ser mensais.
O prefeito de Cascavel, Salazar Barreiros (PPB), entregou ontem os cheques para 66 avicultores do município, no interior de um barraco de lona preta na frente do frigorífico, no qual eles estão instalados há 50 dias, em protesto pela suspensão dos abates. O prefeito disse que os produtores, donos de pequenas áreas nas quais a avicultura era atividade principal, ‘‘lamentavelmente precisam de socorro para sobreviver e pagar pequenas contas, como gente honesta que são’’.
Um dos cheques foi para a viúva Nair Pazini, 68 anos, que, com ajuda de um filho, tocava um aviário que produzia 12 mil frangos a cada ciclo de 45 dias, e obtinha com isso renda média próxima a R$ 1 mil. ‘‘Juntando com um pouco de lavoura, dava para viver, mas agora estamos no desespero e qualquer ajuda é muito importante para nós’’, disse Nair Pazini. O presidente da Associação dos Avicultores do Oeste e Sudoeste do Paraná (Avios), Lino Bergamini, ressaltou o ‘‘significado simbólico’’ da ajuda.
Segundo Bergamin, ‘‘é o reconhecimento do Estado, de que estamos em situação de falência’’. Com isso, os produtores acham que têm mais argumentos para adiar o pagamento de empréstimos, especialmente o Banestado, para a construção dos aviários. ‘‘O governador demonstrou estar sensibilizado com nossa situação, e o aspecto moral da ajuda é ainda mais importante’’, acrescenta. Lino Bergamin diz que ‘‘a luta’’ é pela reativação do frigorífico, ‘‘para sobrevivência nossa e dos que estavam nele empregados’’ - cerca de mil pessoas.
O grupo Chapecó, com unidades em Santa Catarina, Paraná e São Paulo, a maior parte inativas, acumula dívidas de mais de R$ 300 milhões. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lidera um grupo quatorze instituições credoras, que negociam com a o grupo argentino Macri a venda das unidades. Um dos entraves para isso é o Banco Mundial, também credor, que impos várias exigências para a negociação, mas ontem os avicultores informaram terem notícia de que é possível que haja definição nos próximos dias.

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