Granjas estão prevendo falta de milho
Vânia Casado
De Curitiba
Avicultores e suinocultores estão preocupados com a falta de estoque de milho no Paraná em quantidade suficiente para abastecer o mercado até a entrada da safra de verão 1999/2000. A preocupação se agravou desde que a Conab autorizou a remoção do produto para atender indústrias do Rio Grande do Sul. Os estoques de milho no Paraná são de apenas 70 mil toneladas, insuficientes para o abastecimento dos pequenos criadores, disse Laércio Cardoso, presidente da Associação Paranaense dos Avicultores (Apavi).
Os produtores querem que a Conab volte a fazer estoques reguladores no Paraná. Para suprir as necessidades, muitos estão comprando milho no Centro-Oeste, onde o custo do frete onera o valor do grão no mercado. Além disso, a qualidade do grão não tem agradado aos criadores. Uma comissão vai levantar a demanda de milho necessária até o final do ano. De posse dos dados pedirá recursos ao Ministéiro da Agricultura.
Só no ano passado, a Conab autorizou a remoção de cerca de 500 mil t para as indústrias do RS. E esse ano, com a expansão do segmento de avicultura e suinocultura, as indústrias voltaram a comprar no mercado paranaense. Como o mercado é aberto, não se pode impedir a venda, admite Cardoso. Mas ele afirma que não é justo que pequenos granjeiros tenham que comprar milho em Mato Grosso ou de Goiás, pagando o alto custo do frete, sendo que o Paraná é o primeiro estado produtor de milho.
A preocupação de Cardoso é com a manutenção da venda de milho em balcão durante o período de entressafra, operação realizada pela Conab. Através dela, os pequenos criadores podem comprar até 15 t/mês, pelo valor do último leilão realizado na região onde está sendo feita a operação. Em Francisco Beltrão, a Conab vendeu milho em balcão esta semana por R$ 9,00/saca, sendo que na região, os produtores que não são integrados às indústrias ou não podem comprar da Conab estão pagando entre R$ 9,80 e R$ 10,00/saca.
Segundo Cardoso, nem a colheita do milho safrinha no mercado, que está se intensificando, tranquilizou os pequenos produtores. Devem ser colhidas em torno de 2,8 milhões de t no Paraná, mas a quantidade é considerada insuficiente diante do apetite do mercado, disse o produtor. O superintendete da Conab-PR, Airton Hack, informou que já está pedindo junto ao órgão em Brasilia, a liberação de recursos para que possa fazer a remoção de estoques de milho dos estados do Centro Oeste.
Mas ele não soube informar o volume que pode ser removido, diante da escassez dos estoques de milho disponíveis no País. A estimativa da Conab é que o ano agrícola seja encerrado com um estoque de 946 t, o menor volume dos últimos cinco anos. E mesmo assim, deverá haver uma importação de 1.337 t para suprir o consumo avaliado em quase 36 milhões de t.





