Vânia Casado
De Curitiba
Até o final deste mês, o ovo em pó - que já é vendido para indústrias de alimentos - será lançado para o consumo no varejo de Curitiba. As donas de casa poderão optar entre comprar só gema, só clara, ou o ovo integral que é a mistura de clara e gema. Todos os produtos, pasteurizados, serão oferecidos em embalagens longa vida. A iniciativa é da granja Mizumoto, de Guapirama, no Norte Pioneiro.
A alternativa da venda de ovo em pó é a esperança de elevar o consumo de ovo, que está em queda há três anos. ‘‘O consumo de ovo, que sempre foi comida de pobre, está em queda em decorrência do aumento do desemprego e dos baixos salários’’, justificou o presidente da Associação Paranaense dos Avicultures (Apavi), Laercio Cardoso. No início do ano o Paraná tinha um plantel de 6,5 milhões de aves poedeiras e atualmente está com 6 milhões de aves. Há 1,5 ano atrás o plantel era de 7,25 milhões de cabeças.
Como nos demais setores da Agropecuária está havendo uma seleção imposta pela competição, em que só sobrevivem as granjas mais capitalizadas. E deverão se fortalecer no mercado aquelas com condições de modernizar e automatizar as linhas de produção para poder competir no mercado, disse o diretor da Apavi, em Nova Esperança, Izário Yamamoto. Ele disse que na região, onde se concentra 70 produtores de ovos, as pequenas granjas estão encerrando as atividades por falta de condições de se sustentar no mercado.
Segundo Cardoso, os pequenos produtores não conseguem sobreviver vendendo o produto entre R$ 0,50 e R$ 0,55 a dúzia, enquanto o custo de produção é de R$ 0,60 a dúzia. O produtor destacou que o preço do ovo é o mesmo desde julho de 1994, enquanto o custo dos insumos utilizados na atividade como ração (farelo de soja e milho), medicamentos, energia elétrica e combustível mais do que dobrou nesse período, disse o produtor.
Além da descapitalização Yamamoto se queixa da legislação trabalhista que considera arcaica e que representa um convite ao desemprego. Segundo ele, as granjas capitalizadas que absorviam muita mãode-obra tendem a substituir os empregos pela automação da linha de produção, como já está ocorrendo em São Paulo. ‘‘ Hoje os equipamentos fazem tudo, como a distribuição de ração, coleta de ovos e controle de alimentação, sem que haja contato manual com os ovos, explicou.
Yamamoto que tem um plantel de 250 mil aves, em Nova Esperança, mantém 80 empregados em sua granja, enquanto o primo, que produz ovos em São Paulo, em granja automatizada, precisa de apenas 17 empregados. Só no tratamento e coleta de ovos, Yamamoto emprega 25 pessoas, enquanto o primo emprega entre 5 e 6 pessoas, o que faz com que o custo do concorrente seja bem menor, compara.
Ele lamenta que os produtores de ovos não tenham acesso ao crédito para investimentos na modernização das instalações. Segundo ele, os produtores não conseguem recorrer ao Pronaf (Programa Nacional de Agricultura Familiar) porque o faturamento bruto da atividade é alto em função da produção, mas a margem de rentabilidade é pequena e não permite investimentos por parte daqueles descapitalizados. Atualmente os produtores estão trabalhando com uma margem de 5% a 6% no máximo, disse o produtor. Mas tem épocas do ano que os custos são maiores e os produtores trabalham no vermelho, lembrou.
Indústria Para absorver a produção de ovos os produtores da região de Nova Esperança, estão negociando recursos com o BNDES para instalação de uma indústria para transormar o ovo ‘‘ in natura’’ em pó, o que dará condições de estocar e enxugar a produção do mercado, disse Yamamoto. A indústria é de porte pequeno e deverá absorver recursos de R$ 500 mil. O projeto prevê o processamento de 1.000 caixas de ovos por dia.

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