Grandes redes não mantém empregos iniciais
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sexta-feira, 24 de outubro de 2003
Guto Rocha<br> Reportagem Local 
A vinda de hipermercados para Londrina sempre gera expectativa de abertura de oportunidades de empregos. Talvez essa seja a grande contrapartida dos empreendimentos que se instalam no município. Mas com o passar do tempo, o que se tem verificado é que as empresas não mantêm a promessa inicial, e acabam cortando o número de funcionários pela metade.
Londrina agora negocia com a multinacional norte-americana Wal-Mart a instalação de uma unidade da rede por aqui. A expectativa é que o projeto do hipermercado crie 400 empregos diretos. Mas até quando estes empregos estariam garantidos? Essa é a pergunta que alguns setores têm feito.
O presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Londrina, José Lima do Nascimento, diz que os dois hipermercados, pertencentes a grupos estrangeiros, que já estão instalados em Londrina não mantiveram o número de vagas anunciados na implantação das lojas. ''Todos os dois cortaram o número de empregados até pela metade'', afirma.
Em levantamento nos arquivos da Folha, a reportagem constatou que a informação de Lima procede. No primeiro caso, quando o hipermercado se instalou na cidade, foram criados 425 empregos diretos. Hoje, a loja conta com 300 funcionários, o que representa uma redução de 29,4%. A outra empresa iniciou suas atividades com 390 trabalhadores. Agora, dois anos depois, a unidade de Londrina conta com 193 funcionários, um corte de 50,5%.
O presidente do sindicato observa que nem mesmo a abertura aos domingos e feriados foi suficiente para manter o número de empregados. ''Inclusive os funcionários acabam fazendo grande volume de horas extras que não são pagas'', diz. Lima observa que até existe um banco de horas, mas os trabalhadores não têm controle sobre suas horas acumuladas. ''Já fizemos diversas denúncias ao Ministério do Trabalho, que autua os estabelecimentos, que preferem pagar as multas do que regularizar a situação'', diz.
Lima diz ainda que a abertura de um grande supermercado na cidade acaba prejudicando os pequenos e médios estabelecimentos do setor. ''A cada vaga aberta num grande supermercado, duas são fechadas nos pequenos, que representam 70% das vagas do setor em Londrina'', comenta.
O presidente da Associação Londrinense de Supermercadistas (Ales), Adailton Pereira, acredita que o impacto social da vinda das grandes redes para o município é pior que os benefícios prometidos. ''Basta ver o números de pequenos bazares, açougues e outros pequenos comércios de bairro que acabaram fechando por causa da concorrência com os grandes hipermercados'', comenta. A Ales tem 34 associados com 43 lojas em Londrina.
Pereira diz ainda que outras cidades do Brasil já estão revendo sua postura em relação à instalação de hipermercados. ''Em Porto Alegre, por exemplo, foi realizado um estudo comprovando que a instalação de grandes lojas acabam na verdade provocando desemprego'', diz.


