Grandes redes diversificam mix
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 1998
Agência Folha 
Arquivo FolhaLojas aumentam oferta nos pontos de venda para ampliar o mercadoGrandes redes especializadas no comércio de eletroeletrônicos decidiram diversificar a linha de produtos para compensar a queda nas vendas, minimizar os efeitos da inadimplência e obter maiores margens de lucro. Neste ano, tradicionais cadeias do varejo estão iniciando estudos para colocar nos pontos-de-venda mercadorias das mais variadas, que vão de jogos de panelas e tábuas de passar roupa a confecções. A estratégia é escapar das commodities - televisores, videocassetes, geladeiras e freezers - que já não permitem margens de lucro tão gordas como as do passado devido à forte concorrência - até com hipermercados. A Arapuã, rede com cerca de 260 lojas, que fechou o ano passado com prejuízo superior a R$ 100 milhões, por exemplo, já começou a ampliar o mix de produtos.
A idéia é que não haja restrição de mercadorias. Artigos que dão prejuízo vão sair de linha e os que propiciam maior rentabilidade serão ofertados, diz Massaru Kas hiwagi, diretor financeiro da Arapuã. Até mesmo a venda de roupas não está descartada. Para ele, a introdução de novos produtos é uma maneira certa de aumentar o faturamento. Cerca de 2 milhões de pessoas passam mensalmente pelas lojas da rede, das quais 500 mil efetuam uma compra. Se metade dos clientes que entram nas lojas gastar pelo menos R$ 10, vai dar para faturar no mínimo R$ 10 milhões a mais por mês. No ano passado, a rede faturou cerca de R$ 1,7 bilhão.
A Bernasconi, rede com 28 lojas, também vê a diversificação de produtos como alternativa para ampliar vendas e obter maior rentabilidade. A rede até decidiu contratar uma empresa de consultoria para determinar quais produtos ela poderia comercializar. Essa pesquisa está começando a ser feita. A ampliação das linhas parece ser o único caminho para aumentar as vendas neste ano, afirma Victorio Bernasconi, diretor. Para ele, no entanto, é preciso ter cuidado na escolha das mercadorias. O contrabando, por exemplo, dificulta a venda de produtos de informática.
No Magazine Luiza, com 92 lojas, a linha sempre foi variada - eletroeletrônicos, móveis, utilidades domésticas e brinquedos. A rede, no entanto, começa a investir na marca Luiza. O primeiro foi jogo de panelas. Samuel Klein, proprietário da Casas Bahia, diz que foi exatamente a vendas, sobretudo de eletroeletrônicos. Cerca de 40% do faturamento da empresa vem da venda de bicicletas, móveis, brinquedos e até fraldas. A margem de lucro desses produtos é bem maior.


