No comércio londrinense, as grandes redes de varejo estão nadando de braçadas. Fenômeno da globalização mundial ou não, o fato é que a mistura de crediário, comodidade e oferta de produtos variados em um mesmo estabelecimento tem dado muito certo na cidade. Números da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) revelam que essas redes detêm 53,9% do mercado local. A estatística é baseada nas consultas feitas aos serviços de proteção ao crédito.
É o maior crescimento desse tipo de varejo desde 2001, quando as redes iniciaram o processo de centralização das consultas em seus locais de origem. Atualmente, cerca de 95% das consultas das redes estabelecidas em Londrina é feita em São Paulo. Os dados são importantes porque revelam uma concentração do mercado de varejo, uma vez que o número de magazines, lojas de departamentos ou de eletrodomésticos que atuam no território nacional é bem menor do o comércio que atua apenas no mercado local.
As pequenas lojas ainda são as maiores geradoras de empregos. No ano passado, por exemplo, 54,73% do mercado local ficaram com o comércio com sede na cidade contra uma participação de 45,27% das redes. Em 2003, as empresas londrinenses tinham 61,59% de participação contra 38,41% das empresas com sedes em outras cidades. Em 2002, 70% do mercado era do comércio local. ''O que temos observado é que não há diferença entre produtos e preços entre redes ou lojas pequenas. O diferencial está na qualidade do atendimento e no conforto oferecido'', salienta José Augusto Rapcham, presidente da Acil.
Segundo ele, as ''lojas nacionais'' têm financiamento próprio, investem em treinamento dos seus funcionários e ainda oferecem mais conforto, como ambiente climatizado, horário de atendimento diferenciado e estacionamento próprio. ''As redes têm financeiras próprias e, por isso, têm condições de oferecer taxas mais baixas do que as praticadas no mercado. Elas (redes) ainda oferecem mais facilidades para o cadastramento do crediário'', avalia.
Mas para tentar reverter a situação, a Acil tem trabalhado na conscientização de empresários e comerciários. A idéia é investir na valorização dos funcionários, para que eles possam se dedicar mais ao trabalho. E uma das provas do desenvolvimento dessa proposta é o crescimento do comércio local, que registrou um desempenho 50% maior do que a média nacional. ''Acredito que tem que haver diferenciais e esse trabalho pode ser feito em conjunto pelos comerciantes. O comércio local é mais dinâmico e têm condições de decidir as coisas mais rapidamente porque tem um contato mais direto com os clientes'', comenta. (F.M.)

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