Grandes empresas têm endividamento recorde
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terça-feira, 19 de agosto de 2003
Agência Estado 
Rio Os ganhos e o endividamento das empresas de capital aberto não-financeiras foram duramente afetados pela retração da economia no ano passado e a situação empresarial se aproxima da registrada em 1999, quando a desvalorização do câmbio prejudicou os balanços empresariais. Embora a Petrobras apresente resultado espetacular e permaneça em primeiro lugar entre as 500 maiores sociedades anônimas posição que ocupa há nove anos consecutivos , a rentabilidade média das grandes empresas despencou para 2,76% em 2002, menos da metade dos 5,74% alcançados em 2001.
A rentabilidade do patrimônio líquido é um dos critérios mais utilizados para aferir o desempenho das empresas nas análises econômico-financeiras. No ano passado, a quantidade de grandes companhias, dentre as 500 maiores, a fechar o exercício com prejuízo quase chegou à metade do total: 214, ou seja, 43%, de acordo com os dados do Ranking 2003 das Empresas de Capital Aberto (S/As), divulgado ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que toma como referência os dados de balanço do exercício anterior.
Desde a criação da pesquisa, em 1970, esta é a segunda maior proporção de empresas no vermelho. O pior resultado foi em 99, quando, ainda sob o impacto de duas grandes crises econômicas mundiais (a asiática, em 1997 e a russa, em 1998), ocorreu a desvalorização cambial. A diferença, no entanto, não foi tão expressiva: naquele ano, 219 empresas tiveram saldo negativo, apenas 5 a mais do que o número da pesquisa atual.
As principais companhias nacionais também atingiram, no exercício do ano passado, o maior nível de endividamento desde 1970. Os economistas da FGV classificam como ''frustrante'' o desempenho de 2002 para as instituições não-financeiras de capital aberto. ''Esperamos resultados melhores em 2003'', comentou o economista Aloisio Campelo Júnior, que coordenou o estudo.
O endividamento das empresas de capital aberto não-financeiras atingiu um nível recorde e perigoso em 2002, na avaliação de Campelo Júnior. No ano passado o grau de endividamento era, em média, de 1,46 vez o valor do patrimônio líquido da companhia. Isto significa que para cada R$ 1,00 de capital próprio investido, há R$ 1,46 de capital de terceiros, que podem ser fornecedores ou bancos. Em 2001, este nível já era alto, mas batia em 1,19 vez. ''O endividamento está pesando um pouco mais para as empresas brasileiras'', afirmou Campelo Junior. Ele observou que houve uma certa ''asfixia'' nas empresas, em termos financeiros, devido à falta de capital de giro e às taxas de juros altas.
A exportação nos setores de extração mineral, metalurgia, açúcar e álcool e química foi o principal destaque positivo entre as 500 maiores empresas. Na lista de maiores lucros do ano passado, Petrobras (R$ 9,8 bilhões), Vale (R$ 2,043 bilhões) e Embraer (R$ 1,202 bilhão) ocupam, respectivamente, a primeira, segunda e terceira posições.


