Grandes construtoras como Camargo Corrêa, Norberto Odebrecht, Andrade Gutierrez e Constran já estão operando algumas concessões ou obras com parceiros estrangeiros. Na maioria dos casos, explicam os executivos das construtoras, as parcerias reproduzem, no Brasil, acordos já feitos no exterior.
A Camargo Côrrea se associou com a Brown, Root & Murphy para as obras do gasoduto Brasil-Bolívia. Andrade Gutierrez e Norberto Odebrecht fizeram associação com a francesa Vivendi - ex-Compagnie Générale des Eaux, uma das maiores do mundo em saneamento - nos consórcios em que ganharam, respectivamente, as concessões da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e da empresa de saneamento Águas de Limeira, no interior de São Paulo. A Constran participa do consórcio que ganhou a Ferronorte e do qual faz parte, também, a americana BRP, com experiência na operação de ferrovias.
Carlos Namur, da Construtora Norberto Odebrecht, concorda com a avaliação de que aumentará a participação estrangeira no setor da construção. ‘‘Há vários sinais de que isso vai realmente acontecer’’, diz, lembrando que o Brasil é um país em construção e por isso é normal que atraia o interesse de multinacionais. ‘‘Mas a estratégia de internacionalização do grupo nos capacitou para enfrentar essa concorrência.’’
A mesma avaliação é feita pelos executivos da Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez. ‘‘Não creio em presença grande de construtoras estrangeiras no Brasil porque as grandes companhias locais são muito competitivas e atualizadas tecnologicamente’’, diz Eduardo Andrade, diretor-superintendente da Andrade Gutierrez.
A presença privada, diz José geraldo Gallo Ferreira, diretor da Camargo Corrêa, muda muito (e para melhor, segundo ele) a realidade do setor. Antes, analisa, as empresas eram niveladas por baixo. Para ganhar uma concorrência, o único critério que valia era o menor preço. ‘‘O tripé solidez, seriedade e qualidade não era considerado’’, afirma. Agora a situação mudou.

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