Agência Estado
De São Paulo
A economia da Grande São Paulo criou 79 mil empregos em novembro, 16 vezes mais do que no mesmo mês do ano passado, segundo a pesquisa do convênio Seade-Dieese divulgada ontem. Em novembro de 1998, em plena crise russa, a mesma pesquisa registrou criação de apenas 5 mil postos de trabalho.
Também na comparação com outros anos, o saldo de 79 mil empregos foi notável – tratou-se na melhor marca para o mês de novembro em cinco anos. Estão disponíveis 23 mil novas ocupações na indústria, 35 mil no comércio, 20 mil nos serviços e mil em outros segmentos.
O resultado não compensa os péssimos indicadores apurados este ano em termos de emprego. O índice de desocupação, por exemplo, caiu de 19% em outubro para 18,6% no mês passado, mas assim mesmo foi o pior de toda a série para o mês de novembro.
Isso porque, apesar do movimento de criação de empregos, o número de pessoas que precisam trabalhar também aumentou – 52 mil pessoas entraram na população economicamente ativa naqueles 30 dias. O número total de desempregados foi de 1,673 milhão de pessoas.
O índice médio de desemprego em 1999 também baterá o recorde de toda a série, desde 1985, mesmo com essa recuperação do emprego. Além disso, vários dos postos de trabalho criados agora desaparecerão a partir de janeiro.
Mas, não todos, segundo o diretor excutivo da Fundação Seade, Pedro Paulo Martoni Branco. ‘‘Aparentemente esses resultados refletem um misto de resposta sazonal da economia (por conta das festas de fim de ano) com certa recuperação sustentada da atividade’’, afirmou.
Ele destacou ainda que dos empregos criados em novembro, mais de 90% eram do tipo assalariado, com carteira assinada. Esse indicador, de maior qualidade nos postos, é que levou o economista a creditar em recuperação mais consistente da atividade econômica, e não apenas em sazonalidade favorável.
De qualquer maneira, com crescimento de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano (como prevê o governo), ou de 2,5% a 3% (como prevêem alguns economistas), o desemprego dificilmente será menor do que 17% da população economicamente no ano que vem.
No futuro imediato, o índice de desemprego deverá ter nova queda em dezembro, e tudo indica que um ligeiro aumento em janeiro, por causa principalmente de demissões no comércio, mas nada de muito radical. O índice esperado para os próximos dois meses gira em torno de 18%.
Em outubro (último dado disponível) o rendimento médio real de todos os trabalhadores ocupados apresentou nova redução, de 0,9%. Só os assalariados do setor privado tiveram ganho, de 4 9% na indústria, e de 6,2% no comércio, mas a inflação do último bimestre do ano pode anular esse aumento, lembrou Martoni.
No acumulado de 12 meses, contudo, todo mundo está mais pobre do que no ano passado. Os trabalhadores assalariados ou não, com ou sem carteira assinada, e de qualquer setor, perderam renda em porcentuais variados desde outubro de 1998. Em termos reais (descontada a inflação), o valor do rendimento dos ocupados na Grande São Paulo foi de R$ 983 no ano passado e caiu para R$ 852 este ano.
Pedro Paulo Martoni deixa a direção da Fundação Seade em janeiro, depois de duas gestões, e transmite o cargo para o tucano Flávio Fava de Moraes, ex-secretário de Ciência e Tecnologia do governo Mário Covas e ex-reitor da Universidade de São Paulo.Comércio ofereceu 35 mil novas vagas em novembro. Indústria e serviços abriram outras 20 mil, cada
Arquivo FolhaDÉFICIT ACUMULADOApesar da grande oferta de vagas de trabalho em novembro, o índice de desocupa ção caiu modestamente no período: foi de 19% em outubro para 18,6% no mês passado. Este é o o pior resultado de toda a série para o mês de novembro

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