O excesso de produção da mandioca em todo o Brasil fez o preço da raiz despencar. No entanto, queda da cotação para os produtores não reflete necessariamente em redução de preços para o consumidor. Em Londrina, por exemplo, o preço do quilo de mandioca descascada varia de R$ 1,10 a R$ 1,90 nas feiras livres e nos supermercados. Já o quilo da raiz com casca é bem mais barato: varia de R$ 0,20 a R$ 0,40.
E descascar mandioca está virando coisa do passado. Apesar de ser mais cara, a praticidade fala mais alto e os consumidores optam por comprar a mandioca já sem casca. Tanto que alguns supermercados da cidade já retiraram a raiz com casca das suas gôndolas. Em um estabelecimento localizado no centro da cidade, o quilo do produto está sendo vendido por R$ 0,96. O preço estava menor porque ontem o supermercado estava promovendo a ''Quarta Verde'', que traz promoções de hortifrutigranjeiros.
Normalmente, neste estabelecimento o preço do quilo da mandioca sem casca é R$ 1,49. ''Há oito meses o custo não varia. Compramos dos mesmos produtores e eles não baixaram'', comenta Reginaldo de Amorim Ferreira, encarregado do setor de hortifrutigranjeiros do supermercado. Segundo ele, durante o inverno são comercializados cerca de 40 quilos da raiz; no verão, essa quantidade é de 15 quilos.
Já em um outro supermercado de uma rede estadual, as vendas de mandioca crescem 80% nos meses mais frios. No entanto, neste estabelecimento os preços caíram. Há três semanas, o produto com casca era vendido a R$ 0,79 o quilo, enquanto atualmente o custo varia entre R$ 0,25 e R$ 0,35 o quilo. Já a raiz descascada está sendo vendida por R$ 1,10 o quilo.
No caso de produtos derivados de mandioca, como a farinha, alguns
supermercados absorvem a redução de preços e não repassam a diferença para os consumidores. Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam), Ricardo Bandeira Villela, as indústrias precisam pressionar a baixa dos preços nas gôndolas dos supermercados, principalmente, no interior de São Paulo.
''Para tentar coibir essa prática, muitas indústrias imprimem o preço sugerido para os consumidores nas embalagens para que os supermercados não fiquem com toda a margem de lucro. Se a redução de preços não chega ao consumidor, o consumo não aumenta'', explica Villela.
Além do excesso de produção na Região Nordeste e no Paraná, a queda do dólar frente ao real também influenciou no preço da mandioca. A raiz não é uma commodity internacional, mas compete diretamente com o amido de milho. Na fabricação da farinha de trigo os moinhos misturam entre 20% e 30% de fécula ou de amido de milho. Como no ano passado o preço da fécula estava alto, os moinhos deixaram de usá-la como ingrediente da farinha.
Agora, com preço mais baixo, as indústrias estão voltando a utilizá-la, mas não nos mesmos patamares registrados há três anos. Com isso, há uma sobra de fécula no mercado, o que contribui para a redução de preço.

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