O argentinos fizeram filas desde a madrugada de ontem nas casas de câmbio e agências bancárias para comprar dólares. A procura pela moeda norte-americana foi intensa até o fim da tarde, quando as instituições fecharam suas portas.
O forte movimento fez o preço do dólar voltar a disparar. No fechamento, a moeda norte-americana era vendida a 2,10 pesos, uma valorização de 2,4% em relação a anteontem. A insegurança dos argentinos em relação ao futuro do peso não pára de aumentar. Com medo de que a moeda do país se desvalorize ainda mais rapidamente diante do dólar, as pessoas têm procurado as casas de câmbio para comprar a moeda norte-americana a qualquer preço.
‘‘Tenho de viajar e não há outra opção a não ser encarar uma fila desse tamanho para comprar dólares. Em nenhum país vai haver loucos que aceitem pesos’’, dizia José Pérez, em uma longa fila no banco Nación, onde só era permitido comprar até US$ 200.
Para os argentinos, o dólar se tornou uma das únicas formas de investimento. Depois da implementação do curralzinho, ninguém quer arriscar colocar suas economias em um banco.
O pânico dos argentinos que voltaram a procurar massivamente as casas de câmbio aumentou após a informação de que o governo poderia nos próximos dias deixar o câmbio flutuar livremente. A medida, segundo analistas do mercado financeiro, pode provocar de início uma disparada mais rápida no valor do dólar.
As intervenções do Banco Central argentino no mercado de câmbio não surtiram efeito nos últimos dois dias, quando a moeda acumulou alta de 10,5%. O governo já torrou cerca de US$ 440 milhões para tentar segurar o dólar desde 15 de janeiro.

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