Governos não têm solução a curto prazo para desemprego
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quarta-feira, 22 de julho de 1998
Carmem Murara 
Os governos estaduais e mesmo o governo federal não têm esperanças de conseguir reduzir os índices de desemprego a patamares aceitáveis em um curto espaço de tempo. Avaliação feita ontem pelo coordenador do Programa de Emprego da Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho de São Paulo, Alexandre Loloiam, mostra que o fechamento de postos de trabalho é uma consequência direta da política macroeconômica do governo e representa o ônus de uma economia estabilizada. Loloiam esteve em Curitiba para participar do Seminário Estadual para Composição de Cenários Econômicos e Potencialidades Empregatícias.
O evento foi promovido pela Secretaria Estadual de Emprego e Relações do Trabalho e contou com a colaboração das Universidades Estaduais, Dieese, Iapar, Ipardes, Embrapa e Emater. A intenção é instruir os participantes a encontrar soluções para gerar empregos.
Não temos uma saída imediata para resolver o problema do desemprego, mas cabe ao Estado armar uma estrutura para descentralizar as ações e criar programas que amenizem a situação, afirmou Loloiam. Os municípios que formam a Grande São Paulo têm hoje 1,6 milhão de desempregados, número correspondente a população curitibana. A Região Metropolitana de São Paulo apresenta um índice de desemprego que chega a 18,9%, segundo a pesquisa do Dieese. Até 1993, o percentual de desocupados girava em torno de 14%.
A mesma pesquisa do Dieese, feita até outubro do ano passado, em Curitiba, apontava que 14% dos trabalhadores da Região Metropolitana estavam sem emprego. Na implantação do Plano Real, o índice era de 9%.
Uma das alternativas para investir na empregabilidade é alterar a estrutura das empresas. O professor de Economia do Cefet e ex-secretário do Planejamento, Carlos Artur Passos, defendeu a adoção de um novo modelo de empresas baseado no conceito japonês da produção enxuta. Pela proposta, os trabalhadores teriam mais autonomia e reconhecimento por parte dos empregadores.


