Governos estudam unificação das políticas monetárias
Governos estudam unificação
das políticas monetárias
Denise Marin e André Soliani
Agência Folha
Depois de um ano de resistência do governo brasileiro em tratar da harmonização das políticas macroeconômicas entre os parceiros do Mercosul, o tema entra pela primeira vez nas discussões dos presidentes dos quatro países, que se reúnem hoje no Paraguai.
Esse seria o primeiro passo para a adoção, no futuro, de uma moeda comum no bloco. O compromisso poderia dar um alento ao Mercosul, enfraquecido
pelos desgastes das economias locais.
Fora das agendas das duas últimas reuniões de cúpula do Mercosul, o tema acabou impulsionado por declarações conjuntas dos presidentes Fernando
Henrique Cardoso e Carlos Menem, no início da semana passada. A análise dessa proposta em Assunção ganhou força com a impossibilidade de avanço nas principais pendências nas negociações do bloco - o regime automotivo comum e o comércio de açúcar.
As pressões dos parceiros do Brasil, que não quiseram desperdiçar as
declarações de FHC e de Menem, também levaram a questão à agenda dos
presidentes.
O tema deverá ser previamente debatido na reunião de hoje entre os
ministros da área econômica do Mercosul, da qual participam os brasileiros Pedro Malan (Fazenda) e Pedro Parente (Orçamento). A proposta de formular uma espécie de Tratado de Maastricht está longe das possibilidades atuais dos parceiros Mercosul. Esse documento havia fixado as metas macroeconômicas para os 15 países da União Européia que, uma vez cumpridas, garantiram a adoção da moeda comum, o euro. O objetivo em Assunção é definir um pequeno Maastricht, um conjunto de objetivos macroeconômicos mais modestos, como sugeriram FHC e Menem. A questão, entretanto, gera polêmica entre analistas econômicos no Brasil.
Segundo o economista Raul Veloso, especialista em contas públicas, a
Argentina seria o primeiro país a rejeitar uma harmonização macroeconômica nesse momento, embora venha defendendo essa bandeira há mais de um ano. O comércio com o Brasil está esgotado desde a desvalorização do real.
Agora, o país não vai querer fechar sua outra porta para se amarrar ao
modelo cambial do Brasil, completa.
Assim como Veloso aponta obstáculos na área cambial, o economista José
Roberto Afonso, do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social), acredita que a harmonização macroeconômica seria prematura por
conta dos descompassos na área tributária.





