Governos e empresários fazem pacto pela sanidade animal
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segunda-feira, 14 de maio de 2007
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Representantes do governo federal, governo estadual, produtores e empresários que usam ou comercializam produtos de origem animal fecharam, ontem, em Curitiba, um pacto para a atuação integrada de todos esses setores com objetivo de garantir a sanidade animal do Estado. No encontro, o ministro da Agricultura Reinhold Stephanes garantiu que a defesa sanitária vegetal e animal é prioridade número 1 de seu ministério, que não apenas apóia a integração de ações entre os setores público e privado, como também já vem trabalhando no sentido de traçar ações conjuntas com países que fazem fronteira com o País.
''O governo vai fazer a sua parte, e espero contar com a ajuda de todos, para nos tornarmos co-responsáveis nesse projeto'', disse o ministro, depois de fazer uma breve exposição sobre o que o Governo Federal vem fazendo para a sanidade animal. Segundo ele, o presidente Lula já se mostrou ''extremamente sensível'' à questão. Prova disso, citou, foram as assinaturas de Medidas Provisórias (MP), na última sexta-feira, relacionadas ao combate à febre aftosa.
No total, foram liberados R$ 45 milhões ao Mato Grosso do Sul, para indenização de produtores que tiveram ou venham a ter animais sacrificados. O restante será repassado a um convênio, firmado com o governo estadual, para investimentos em vigilância sanitária nas áreas de fronteira. Outra MP determina que as indenizações aos pecuaristas, localizados numa faixa de fronteira terrestre de até 150 quilômetros, serão integralmente pagas pela União, desde que o produtor não seja responsável pela ocorrência da doença em sua propriedade.
Plano - Para os empresários, a preocupação é construir um plano de trabalho que garanta a sanidade animal e evitar que o Paraná enfrente novamente situações difíceis, como aconteceu em 2005, quando foram detectados focos de febre aftosa no Estado. Por isso, um dos objetivos do evento de ontem, promovido pelo Fundo de Desenvolvimento da Agropecuária do Paraná (Fundepec), era discutir a participação da iniciativa privada nas ações de defesa sanitária animal.
Ágide Meneguette, presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep) e do Fundepec, lembrou em seu discurso que os prejuízos de produtores e indústrias do Paraná, em função da aftosa, superou a R$ 2 bilhões. ''Nosso desejo é que todos se comprometam a participar de um esforço conjunto para recuperar o nosso status sanitário animal'', pediu.
Para o ministro, três ações são fundamentais: estabelecimento de barreiras capazes de evitar que doenças cheguem ao estado; criação de uma rede de vigilância eficiente; e capacidade de isolamento do foco com rapidez no caso de detecção de alguma doença. Na prática, de acordo com ele, o governo já está conversando com estados e países vizinhos. Ele também garantiu que o governo federal deve arcar com todos os custos nesses casos, uma vez que os estados não têm condições de aportar recursos com rapidez.
Stephanes também anunciou que o Governo Federal deve liberar mais R$ 5 a R$ 6 milhões para a defesa sanitária no Paraná. Segundo o secretário de Estado da Agricultura, Valter Bianchini, o valor vem se somar a R$ 4 milhões já recebidos pelo Estado no final de 2006. Na defesa da sanidade animal, Bianchini salientou alguns programas em andamento no Paraná, entre eles o monitoramento da avicultura com ações preventivas à gripe aviária.
Ele lembrou ainda o Programa de Vigilância nas Fronteiras, que prevê a vacinação contra aftosa em 23 mil propriedades de 27 municípios na região de fronteira do Estado, num total de 501 quilômetros entre os municípios de Barracão à Marilena. Ao todo, 309 técnicos estão percorrendo todas as propriedades para vacinar os animais contra a aftosa.


