Rio de Janeiro - O mundo está sofrendo de falta de commodities e excesso de serviços financeiros, para Kenneth Rogoff. Nos dois casos, a saída é desacelerar. O problema é que os governos e os bancos centrais resistem a essa receita amarga, mas - para o economista - necessária.
Um grave problema adicional, mencionado por Rogoff, é que muitos países têm taxa de câmbio fixo (ou quase fixa) em relação ao dólar, como Argentina, Venezuela e vários exportadores de petróleo do Oriente Médio, ou com variação artificialmente limitada, como a China. Nessas economias, a taxa de juros tem de despencar junto com a americana, como condição para que uma entrada incontrolável de dólares não obrigue o governo a deixar a moeda nacional se valorizar além do câmbio fixo ou quase fixo que foi predeterminado.
Na verdade, muitos analistas ainda temem uma grande recessão nos Estados Unidos em consequência da crise financeira, e acham que combater esse perigo deve ser a tarefa principal do Fed no momento. Edward Amadeo, economista da Gávea Investimentos, analisa que cada um - Rogoff e Krugman - enfatiza um dos riscos que efetivamente ameaçam a economia global.
A dificuldade dos bancos centrais e dos governos é exatamente a de ter de evitar os efeitos potencialmente devastadores de uma grave crise financeira sobre a economia real, o que exige políticas frouxas, e ao mesmo tempo não semear pressões inflacionárias muito intensas para o futuro, o que pede mais rigor nos juros e nas contas fiscais. O desafio é balancear a atuação para minimizar esses riscos opostos. (F.D.)

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