Governos adaptam computadores para o 'bug do milênio'
Carmem Murara
O governo federal ini cia em outubro uma megacampanha publicitária em todo o País para preparar os brasileiros a enfrentar o bug do milênio - que pode ser definido como a pane geral que poderia ocorrer nos computadores que não estiverem adaptados à leitura do número do ano 2000. A intenção é tranquilizar as pessoas de que nenhum problema ocorrerá nos sistemas de informática dos bancos, ministérios, previdência, companhias de energia ou telefone e empresas de aviação.
O próprio governo federal já concluiu 85% da mudança dos códigos de seus computadores, em todo o País, trabalho que deverá ser finalizado até o final de agosto e que trouxe um custo de R$ 1,5 bilhão para os cofres da União. Faltam ainda finalizar os serviços de conversão na Previdência, no setor da agricultura e transportes, segundo informou ontem o secretário geral do Ministério do Orçamento e Gestão, Solon Lemos Pinto. Ele esteve em Curitiba para participar da reunião do Conselho Estadual de Informática e Informações. O grupo se reuniu para discutir o bug do milênio e fazer uma avaliação do que estão fazendo os Estados e municípios para esperar a virada do ano.
Entre as alterações que poderiam ser provocadas pelo bug estão uma interrupção geral nos serviços bancários e nos cartões de crédito. Também poderia ocorrer um colapso no fornecimento de energia ou de telefonia. Até mesmo pequenos aparelhos domésticos como fornos de microondas, vídeos e relógios digitais podem apresentar problemas.
O secretário do Ministério do Orçamento reforçou a necessidade de se convencer a população de que o caos não estará instaurado entre os dias 31 de dezembro de 1999 e 1º de janeiro de 2000. Tem muitos videntes prevendo o caos, mas todo mundo vai ver que, no dia seguinte, não acontecerá nada de mais, por isso não é necessário correr a bancos para sacar dinheiro ou fazer estoques de combustível ou alimentos, recomendou o secretário do Ministério, em sua palestra. Nos Estados Unidos, o governo chegou a determinar a emissão de maior volume de cédulas de dinheiro como medida de prevenção, o que seria um exagero na avaliação de Solon Lemos Pinto.
Os serviços para preparar os computadores para enfrentar o bug também estão adiantados no Paraná. O presidente da Companhia Paranaense de Informática (Celepar), Francisco Krassuski, informou que já foram convertidas 90% das linhas de todo o sistema corporativo do governo, sendo que 80% já foram testadas e deram resultado positivo. Pode ocorrer que algumas linhas apresentem problemas, mas nada que cause um colapso imediato no sistema, afirmou Krassuski.
O governo do Estado gastou R$ 4 milhões, nos últimos dois anos, para adaptar os computadores ao bug. Vai gastar mais R$ 9 milhões para concluir o serviço. A empresa que fará o trabalho será conhecida ainda neste mês, quando for divulgado o resultado de uma licitação pública. Quem quiser saber mais sobre os efeitos do bug do milênio pode acessar a internet nos seguintes endereços: www.intranetparana.br/bug2000 ou no site www.a2000.gov.br.





