AGF jáO governo entrou muito tímido na comercialização do milho. Agora tenta corrigir o erro O governo vai liberar R$ 50 milhões a partir da próxima semana para a compra de milho nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais, em mais uma tentativa de provocar a reação do mercado, nas regiões onde os preços estão abaixo do mínimo. As operações de Aquisições do Governo Federal (AGF) poderão ter o limite ampliado de 2 mil para 5 mil sacas de milho por produtor, a exemplo do que já vem ocorrendo na Região Centro-Oeste.
O diretor do departamento de abastecimento do Ministério da Agricultura, Vilmondes Olegário, disse ontem à Agência Estado que se o preço não reagir nestas regiões o governo poderá ter problemas em outubro, quando vence a primeira parcela da securitização das dívidas rurais.
Os produtores têm a opção de pagar o débito com produto e estima-se que cerca de 1 milhão de toneladas de milho poderão vir para os estoques do governo. O governo não tem estrutura para absorver mais que 600 mil toneladas.
Como a última posição dos estoques oficiais indica que o governo tem em mãos quase 6 milhões de toneladas de milho, há o temor que até o final do ano este volume fique em torno de 8 milhões de toneladas, o que representaria o dobro do estoque de passagem previsto, de 4 milhões de toneladas. Somente em contratos de opção para entrega futura de milho foram negociadas 1,2 milhão de toneladas que poderão vir para o governo, caso o preço não reaja.
Renda Outra preocupação do governo, segundo o diretor
do departamento de abastecimento do Ministério da Agricultura, Vilmondes Olegário, é com a renda do produtor de milho.
‘‘Se o produtor não tiver remuneração satisfatória agora, ele poderá optar pela produção de soja, que terá estímulos adicionais na próxima safra’’, explicou Vilmondes. No Centro-Oeste, por exemplo, o limite de financiamento para a lavoura de soja foi ampliado de R$ 30 mil para R$ 100 mil. Naquela região ainda o preço do milho foi um dos mais baixos e redução da área na próxima safra pode bater recorde.
Além disso, enquanto o preço do milho não reagir nas principais regiões produtoras, o governo não pode montar sua estratégia de venda dos estoques, pois não há como ofertar mais produto num mercado praticamente estagnado.
No final do mês haverá outra reunião em São Paulo sobre a comercialização do milho mas, na avaliação de Olegário, os R$ 50 milhões que o Tesouro repassará ao Banco do Brasil a partir da próxima semana poderão provocar reação de preços. O volume de recursos é suficiente para a compra de 500 mil toneladas de milho.

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