Brasília – O governo começou a preparar a venda de sua participação excedente no Banco do Brasil, prevista para o segundo semestre deste ano. Antes da venda das ações, porém, o BB terá de fazer a conversão de parte de suas ações preferenciais (sem direito a voto) em ordinárias (com direito).
O Banco do Brasil tem apenas 8,7% de suas ações em circulação no mercado. Para atingir o nível pleno e ter seus papéis no Novo Mercado da Bovespa, que exige maiores condições de transparência, terá de ter 25% das ações em circulação. Isso significa que o Tesouro deverá vender, pelo menos, 16,3% das ações que possui.
O BNDES será responsável pela colocação das ações no mercado. A expectativa é que, até o início do próximo semestre, a venda esteja concluída.
Como aconteceu com a venda das participações na Petrobras e da Vale do Rio Doce, os trabalhadores poderão utilizar o FGTS para comprar os papéis. O anúncio foi feito pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, e pelo presidente do Banco do Brasil, Eduardo Guimarães.
Em novembro do ano passado, o Tesouro Nacional já havia confirmado a intenção de vender a participação excedente do governo no banco, exatamente como fez com a Petrobras.
A última revisão do acordo com o FMI, em março, já apontava a possibilidade da venda das ações do BB. As ações ordinárias do Banco do Brasil acumulam uma alta de 28,3% este ano, segundo dados da Economática. No mês, os papéis registram uma alta acumulada de 14,3%. Ontem os papéis recuaram 3,55%, cotados a R$ 13,30.
Em 2001, as ações da instituição acumularam uma valorização de 84,09%. O BB é o maior banco brasileiro. Tem patrimônio líquido de R$ 8,747 bilhões. No último dia 26 de março, o BB divulgou que teve em 2001 lucro líquido de R$ 1,082 bilhão, volume 11,1% superior ao resultado registrado em 2000, que foi de R$ 974 milhões.
A União possui cerca de 71,8% das ações do BB e pretende vender a parcela que excede o controle para que a estatal possa participar do Novo Mercado da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). Trata-se de uma seção da Bolsa onde serão negociados apenas papéis de empresas que respeitem critérios mais rígidos de transparência no seu relacionamento com os acionistas.
Para que uma empresa entre no Novo Mercado, é preciso que pelo menos 25% de suas ações sejam negociadas no mercado. Atualmente, apenas 13% dos papéis estão em circulação. O restante está nas mãos da União e da Previ, o fundo de pensão dos funcionários do BB.

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