Segundo o Ministério das Minas e Energia, alguns postos se anteciparam e baixaram o preço do diesel, "independente de quanto tenha custado", para assegurar o desconto
Segundo o Ministério das Minas e Energia, alguns postos se anteciparam e baixaram o preço do diesel, "independente de quanto tenha custado", para assegurar o desconto | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil



Brasília - O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sérgio Etchegoyen, anunciou que "a partir de agora" o governo "estará focado na fiscalização" do desconto do preço do diesel nas bombas e vai usar "todo o poder de polícia" para garantir que a redução de R$ 0,46 chegue às bombas. Segundo o ministro, a informação repassada pelo Ministério das Minas e Energia é de que "a própria BR Distribuidora já se antecipou e fez o desconto de todo o seu estoque, independente de quanto tenha custado", para assegurar o desconto.

Em relação à falta de gás, observada em diversos Estados e no Distrito Federal, o ministro disse que "não há mais o que fazer" e o "governo entregou às distribuidoras que têm de fazer chegar o produto à ponta da linha". Para o ministro, "já temos o abastecimento normalizado".

Etchegoyen declarou ainda que além da fiscalização das bombas, o governo vai acompanhar de perto a investigação da violência contra os trabalhadores que estavam nas estradas, das sabotagens nas linhas férreas e torres elétricas e o cumprimento de todos os itens do acordo com os caminhoneiros.

"As investigações continuam, os processos continuam e o governo empenhará os seus meios para que essas pessoas sejam devidamente levadas à Justiça", declarou o ministro, ao anunciar que o grupo de acompanhamento da normalização, "mudou de protagonismo" e "terá como ênfase", além da fiscalização da garantia do desconto do diesel na bomba, o acompanhamento do "prosseguimento das ações policiais judiciárias, os processos contra violência contra caminhoneiros e contra pessoas em geral".

Segundo o ministro, "a fiscalização será feita com toda a energia e empenho que a situação exige".

ORIENTAÇÃO
Os postos de combustíveis aguardam orientação do governo aos Procons quanto à concessão do desconto de R$ 0,46 por litro de diesel. "A portaria (que determinou o repasse do desconto às bombas) é muito superficial e genérica", disse nesta segunda-feira (4),o presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), Paulo Miranda Soares. "Não dá para saber o que o governo quer." Ele informou que pediu esclarecimentos nesta segunda ao Ministério da Justiça.

A dúvida se deve ao fato de o desconto recair sobre o preço nas refinarias e a portaria determinar que os postos de gasolina devem aplicá-lo. "Mas os postos não compram das refinarias, eles compram das distribuidoras", disse o executivo. "Só vou conseguir repassar se a distribuidora reduzir o diesel para mim."
Ele acrescentou que há 41 mil postos de combustíveis em todo o País e que esse é, na cadeia do petróleo, o elo onde há maior competição. "Eu quero atender bem aos meus clientes", comentou. "O que eu puder repassar, eu vou repassar."

Mais cedo, o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Félix, disse que alguns postos ainda comercializam diesel comprado pelo preço antigo, por isso ainda não aplicam o desconto. "Não tenho dúvida que os R$ 0,46 serão repassados", afirmou. A fiscalização do repasse desse desconto e a normalização do abastecimento são as prioridades do momento para o governo, no que diz respeito aos combustíveis.

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