Governo vai rever política para trabalhador estrangeiro
O ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, afirmou ontem que vai rever a política de migração de trabalhadores para o Brasil, em uma discussão com as principais entidades sindicais do País. Quem vai fazer a política de migração brasileira são as centrais sindicais, afirmou o ministro, que participou de um seminário da Força Sindical do Teatro da Faculdade da Cidade em Humaitá, na zona sul do Rio.
Dornelles explicou que demitiu ontem os responsáveis pelo setor de migração do Ministério de Trabalho porque o sistema de concessão de novos vistos estava muito frouxo. Foram exonerados anteontem o coordenador geral e o coordenador da área, Leon Cinelli e Luiz Carlos da Luz.
O ministro citou números de vistos concedidos no ano passado para demonstrar que foi autorizada a entrada de muitos trabalhadores cujas funções poderiam ter sido preenchidas por funcionários brasileiros.
Em 1998, foram concedidos 2,4 mil vistos para gerentes, 1.190 para diretores de empresas, 820 para engenheiros e arquitetos. Encanadores, soldadores e chapadores estrangeiros também receberam 820 vistos, e oficiais de bordo, 460. O ministério expediu 360 vistos para economistas e contadores de outros países no ano passado.
Queremos absorver tecnologia estrangeira e não podemos fechar a nossa economia, afirmou. Agora, não podemos permitir que empresas estrangeiras que tenham comprado estatais entrem aqui tirando vagas de pessoas do nosso mercado, disse o ministro, sem querer referir-se especialmente a espanhola Telefónica, que tem sido apontada como empresa que adota esta prática.
O ministro afirmou que, em 15 dias, também vai começar uma fiscalização de rebocadores que estariam sendo trazidos de outros países com tripulação estrangeira para trabalhar no País sem condições de segurança e a salários mais baixos do que a média do mercado.Ermínio Oliveira/AbrExoneraçãoO ministro Dornelles demitiu ontem responsáveis pelo setor de migração: sistema muito frouxoAgência Estado





