Governo vai repassar R$ 577 mi ao PR
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quinta-feira, 27 de julho de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, disse ao governador do Paraná, Jaime Lerner, que será encaminhada uma solução para destinar R$ 577 milhões ao Estado, a fim de permitir aos produtores recuperar a renda e realizar o plantio da safra de verão. A resposta definitiva, porém, será dada só na próxima terça-feira.
O governador Jaime Lerner apresentou ontem ao ministro Pratini de Moraes o relatório final sobre os prejuízos do Paraná com as perdas provocadas pelas geadas e pediu os recursos para ajudar na recuperação das lavouras. Do valor reivindicado (R$ 577 mi), apenas R$ 17 milhões seriam a fundo perdido. O restante é para prorrogação de dívidas e novos financiamentos.
Também foram reivindicados mais R$ 300 milhões para suplementar o orçamento previsto para o custeio da safra de verão 2000/2001 no Estado, que é de R$ 700 milhões, segundo a superintendência do Banco do Brasil.
As dívidas feitas pelo agricultor no comércio regional para financiar a safra estão tirando o sono das lideranças. Elas somam R$ 210 milhões, dos quais R$ 155 milhões são dívidas com as cooperativas agropecuárias e de crédito rural. São recursos que a cooperativa adiantou para financiar a compra de insumos e defensivos, que seriam pagos com a colheita da safra. A cooperativa de crédito fez o financiamento ao agricultor com depósitos de outros cooperados.
Nos casos mais graves, o agricultor está devendo para o posto de gasolina, para a revenda de adubos, de insumos, e muitos desses agentes do comércio têm dificuldades em bancar os compromissos por muito tempo. A preocupação da Ocepar com esses produtores é que se eles não quebraram agora, com a perda da safra, vão quebrar mais à frente, porque as empresas fornecedoras vão colocar juros de mercado como forma de se resguardar junto às indústrias. Estas, por sua vez, também vão cobrar juros de mercado.
Ocorre que essas taxas constituem um juro adicional acima do sistema de crédito rural e o produtor não tem atividade que remunera essa dívida, avaliou Nelson Costa, assessor econômico da Ocepar.
As lideranças querem ainda a prorrogação das dívidas da securitização, PESA, de custeios do milho e trigo e de investimentos feitos que somam R$ 100 milhões e mais R$ 250 milhões em novos financiamentos para atividades como cana-de-açúcar, bovinocultura de corte, leite, olericultura, fruticultura e café. O setor cafeeiro precisa de R$ 50 milhões para a recepa e erradicação de aproximadamente 10% do parque cafeeiro do Estado.
Lerner viajou a Brasília acompanhado de lideranças do setor agrícola, logo após anunciar, no período da manhã, o levantamento completo dos prejuízos realizado pelo Deral. Os números divulgados confirmam alguns já veiculados durante a semana. Segundo o documento, todas as culturas da safra de inverno cultivadas no Paraná, incluindo café, milho safrinha, cana-de-açúcar e hortaliças, apresentam quebras de produção por causa das geadas. O valor dos prejuízos chega a quase R$ 1,1 bilhão, o que corresponde a 25% da receita total proporcionada pelas lavouras de grãos nas safras de verão e inverno.
A cultura que teve maior prejuízo financeiro foi o milho safrinha. A quebra de 65,6% na produção está impondo perdas de R$ 420,2 milhões aos produtores. Eles vão deixar de colher 1,82 milhão de toneladas em função das geadas e mais 419 mil toneladas, já perdidas anteriormente com a seca. A expectativa inicial do Deral era colher 3,47 milhões de toneladas.


