Brasília - O governo anunciou ontem um amplo programa de apoio à cafeicultura. Só com prorrogações de dívidas do Funcafé, o programa prevê R$ 608 milhões. O objetivo do pacote é retirar do mercado até 9,5 milhões de sacas no próximo ano e dar sustentação aos preços no mercado internacional, segundo o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, José Amauri Dimarzio. ''Com as medidas, no curto prazo o preço do café deve chegar a US$ 80 por saca de 60 quilos, acima dos atuais US$ 55 por saca'', disse Dimarzio.
A ajuda ao setor, no entanto, está condicionada à apresentação, pelos produtores, exportadores e representantes da indústria, de uma política de reordenamento da produção a longo prazo. O plano, que terá de ser apresentado num prazo de 30 dias, deve procurar garantir a estabilidade do setor, evitando as sucessivas medidas de socorro do governo à cafeicultura.
Como primeira etapa do pacote, o Conselho Monetário Nacional (CMN) deve aprovar hoje um ''prazo de espera'' de 60 dias para as dívidas já vencidas ou a vencer em dezembro, que totalizam R$ 189 milhões. Esse montante refere-se a dívidas de estocagem para exportadores, retenção e colheita referentes à safra 2000/01, informou o diretor do Departamento do Café do Ministério da Agricultura, Vilmondes Olegário da Silva.
Se o setor privado cumprir sua parte no acordo e apresentar o plano de reestruturação do setor, na reunião de dezembro o CMN poderá oficializar a prorrogação dessa dívida já vencida para 30 de maio de 2004.Também em dezembro, segundo Dimarzio, o CMN poderá prorrogar por 18 meses dívidas de estocagem das safras 2000/01 e 2001/02, que chegam a R$ 419 milhões.

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