O ''ministério do apagão'' informou ontem que não cederá às pressões políticas e implantará o plano B de racionamento para toda a região Nordeste.
Em nota divulgada ontem, o ''ministério do apagão'' informa que ''não tem alcance prático qualquer medida que exclua de seus efeitos um ou mais estados da região''. Ainda de acordo com a nota, ''a exclusão de qualquer Estado implicaria necessidade de aumentar o ônus para os demais estados''.
O plano B é a alternativa ao ''apagão'' -corte diário no fornecimento de energia. Entre as medidas que serão adotadas, estão três feriados extras: um na próxima segunda-feira e dois em novembro, nos dias 16 e 26. As entidades de classe e os governo estaduais temem perdas econômicas com a implantação da medida.
A economia de energia no Nordeste vem caindo desde julho. No acumulado deste mês, o Nordeste está com 13,2% de economia.
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Francisco Gros, disse ontem que o fato de o sistema elétrico brasileiro ser interligado inviabiliza qualquer hipótese de tratamentos diferentes entre os estados do Nordeste em relação à adoção de feriados extras para forçar a redução do consumo de energia elétrica.
''O sistema interligado tem vantagens e desvantagens. Não dá para separar. Todos os estados do Nordeste serão atingidos'', disse Gros, ressalvando que estava dando uma opinião pessoal (ele integra o ''ministério do apagão'').
Suas declarações foram a propósito das queixas de alguns governadores nordestinos, como o do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), de que seus estados estariam sendo punidos mesmo tendo cumprido as metas de racionamento que estão em vigor.
Gros disse que o Nordeste ''está caminhando para uma situação de alto risco'', pela combinação de carência de chuvas com o não cumprimento das metas de redução de consumo.
Com isso, os estados do Nordeste se articulam para escapar dos feriadões impostos pelo plano B de racionamento de energia. As estratégias variam da desobediência, como é o caso do Piauí, à negociação com o governo para evitar recorrer à Justiça, caso de Alagoas.
O governador do Piauí, Francisco de Assis Moraes Souza, o Mão Santa (PMDB), disse que não aderirá ao plano.

mockup