Governo vai investir no álcool
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segunda-feira, 25 de agosto de 2003
Jacqueline Farid<br>Agência Estado 
Rio Um protocolo de intenção conjunta para impulsionar a produção de álcool no País será assinado hoje à tarde pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Petrobras e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O presidente do banco, Carlos Lessa, disse que o objetivo é ''impulsionar um grande programa de álcool'' no País e dobrar a produção, atualmente em torno de 13 bilhões de litros, nos próximos três a quatro anos.
Lessa anunciou o convênio, ontem, na abertura de seminário sobre álcool no BNDES, mas não detalhou o programa. Disse apenas que ''com competência, poderemos articular financiamento para essa expansão (da produção de álcool), que terá inclusive apoio externo''. Ele disse também que não tem dúvida de que, caso o País amplie a oferta de álcool combustível, haverá demanda internacional para o produto. ''Poderemos vir a ser um pólo de energia no continente sul-americano pela agroindústria, um grande supridor de bioenergia para o mundo, a partir do álcool.''
Segundo Lessa, o BNDES vai direcionar recursos ainda não definidos para o programa, enquanto a Petrobras contribuirá com a ''inserção sinérgica na área de energia'' da companhia e a Embrapa com tecnologia.
Ele explicou que alguns países da Europa e o Japão sondam constantemente o Brasil para o fornecimento de álcool para misturar à gasolina, mas esses países exigem um compromisso contratual de produção firme.
''Nenhum País vai adotar um programa com álcool sem garantia de suprimento'', lembrou Lessa. ''O meu sonho é que seja possível criar no País um complexo álcool do tamanho do complexo soja, que a cana-de-açúcar permita produzir um fenômeno similar ao da soja'', disse.
Expansão O BNDES distribuiu ontem um documento no seminário, que será encerrado hoje com a assinatura do protocolo, no qual afirma que a capacidade instalada atual de produção de álcool no Brasil é de 16 bilhões de litros por ano. As sugestões do banco para expansão da produção e exportação de álcool no País incluem a ampliação da produção de usinas já existentes, na parte industrial (equipamentos) e na área plantada.
Simultaneamente ao melhor aproveitamento das usinas existentes, teria início um programa de instalação, em cinco anos, de 60 usinas de álcool, com cerca de 15,6 mil hectares de área total plantada com cana.
O investimento industrial no total dessas usinas seria entre R$ 80 milhões e R$ 110 milhões e, o investimento agrícola, de R$ 40 milhões. O documento não detalha como seria o financiamento desses recursos e nem de que fonte viriam.


