Cláudia Lopes
De Londrina
A Secretaria de Defesa do Consumidor do Estado do Paraná (Secon) realiza, desde anteontem, um levantamento de preços do álcool praticados pelas usinas, distribuidoras e postos de combustíveis de Curitiba para apurar qual setor promoveu altas abusivas que acarretaram aumento de preços aos consumidores. A secretaria trabalha com a possibilidade de formação de cartel por parte das usinas, que estão vendendo o produto entre R$ 0,40 e R$ 0,42 no Estado, segundo o diretor geral da Secon, Amauri Scudero.
Em Curitiba, os postos estão vendendo o litro do álcool entre R$ 0,749 e R$ 0,799 desde anteontem. Em Londrina, os preços vêm subindo desde quinta-feira, variando de R$ 0,599 a R$ 0,719 conforme pesquisa feita pela Folha em dez postos da cidade. Scudero calcula que, em algumas regiões, as usinas aumentaram até 45% o preço.
O assessor econômico da Alcopar, Airton Carlos Berg Júnior, defende os usineiros e garante que não houve aumento mas ‘‘recuperação’’ dos preços de dois anos atrás. No início de outubro, as usinas associadas a Alcopar vendiam o litro do álcool por R$ 0,34, segundo Berg Júnior. ‘‘Desde a liberação do preço, o produtor opera com prejuízo’’. Para ele, o preço justo seria de até R$ 0,80.
Em 94/95 foram produzidos 887 mil metros cúbicos de álcool no Paraná, contra 1.039 milhões de metros cúbicos produzidos em 98/99. Já as vendas de carros a álcool no Brasil caíram de 264.235 mil unidades em 1993 para 486 carros de janeiro a setembro de 98. O presidente do Sindicombustíveis, Roberto Fregonese, disse que os postos estão comprando o produto entre R$ 0,66 e R$ 0,68.

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