O governo anunciou ontem a retomada de um programa de enxugamento dos bancos federais que deverá resultar na fusão de algumas instituições e a transformação de outras em agências de fomento e desenvolvimento. Segundo nota divulgada pelo Ministério da Fazenda, as medidas terão como objetivo ‘‘racionalizar e tornar mais compatíveis as atividades do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, do Banco do Nordeste do Brasil e do Banco da Amazônia’’.
Embora tenha se empenhado a fazer com que vários Estados privatizassem seus bancos, o governo Fernando Henrique Cardoso manteve quatro bancos federais - apenas o Meridional foi vendido. A crise econômica e a necessidade de abater o déficit público fizeram crescer as pressões pela venda dos dois maiores bancos estatais, o BB e a CEF. A nota de ontem fala em redução da estrutura dos bancos, mas não em privatização.
Na declaração conjunta do Ministério da Fazenda e da missão do FMI (Fundo Monetário Internacional) que está no País revisando o acordo assinado com o Brasil, divulgada na semana passada, o governo brasileiro se comprometeu a intensificar o esforço de privatização no setor financeiro. Na ocasião, o ministro Pedro Malan (Fazenda), questionado sobre a venda do BB, defendeu uma discussão de médio e longo prazo sobre o assunto. Os estudos que determinarão o futuro dos bancos deverão estar concluídos até o dia 31 de outubro e serão preparados pelo Comif (Comitê de Coordenação Gerencial das Instituições Financeiras Públicas Federais), reunido ontem.
A nota divulgada pelo Ministério da Fazenda informou que as transformações a serem propostas pelo comitê serão implementadas ao longo do ano 2000. Entre as alternativas a serem examinadas pelo comitê também consta a busca de parceiros estratégicos para alguns dos bancos. A idéia é que os estudos do Comif sejam discutidos em audiência pública no final do ano.

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