O governo deverá aprovar em breve uma operação inédita na história da cafeicultura nacional: o empréstimo de 770 mil sacas de café dos estoques oficiais para a indústria de café solúvel. O pedido está sendo analisado tecnicamente há mais de um mês e prevê a entrega do café em 11 parcelas mensais de 70 mil sacas. A indústria de solúvel argumenta que não tem matéria-prima e que o preço interno é superior ao do mercado internacional. E com o empréstimo, os empresários se comprometem a manter as exportações de solúvel, que atingem entre US$ 350 milhões e US$ 400 milhões ao ano, o que equivale a 2,6 a 2,7 milhões de sacas de café verde.
Já existe uma minuta de voto a ser encaminhada ao CMN que dará a palavra final sobre a operação. O Conselho Deliberativo da Política Cafeeira (CDPC) aprovou a criação de um grupo para estudar alternativas para a indústria de café solúvel e a solução final está próxima. Mas alguns integrantes do CDPC, como o presidente da Federação Brasileira dos Exportadores de Café, Osvaldo Aranha, garantem que não conhecem a proposta feita pela indústria de solúvel.
Na avaliação de alguns técnicos, a proposta pode até ser interessante para o governo esvaziar alguns armazéns de café que estão dando prejuízo. Do total de 13 milhões de sacas dos estoques do Funcafé, quatro milhões de sacas pertencem ao setor privado e nove milhões de sacas ao governo. O empréstimo sairá da parcela do governo e os técnicos defendem a inclusão de uma cláusula que garanta o pagamento também em produto.

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