BRASÍLIA - O ministro da Agricultura, Arlindo Porto, disse ontem que o governo pretende destinar R$ 1 bilhão aos pequenos agricultores para o financiamento de custeio da próxima safra, dentro do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). A expectativa é que 500 mil famílias possam ser beneficiadas.
Ao participar da abertura do Seminário sobre a Agricultura Familiar no Mercosul, promovido pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Arlindo Porto disse que a produção familiar é a saída para reduzir as desigualdades sociais no campo. E pediu uma mobilização da sociedade para que o Brasil assuma a liderança do Mercosul nesta área.
Segundo Porto, no ano passado o governo federal atendeu 298 mil famílias de pequenos agricultores que nunca tiveram acesso ao crédito rural. Esta famílias receberam no total R$ 574 milhões. A intenção do governo é de dobrar este volume neste ano.
O vice-presidente da Contag, Avelino Ganzer, reconheceu os avanços da agricultura familiar com a criação do Pronaf, mas ressaltou que ainda é preciso reduzir a burocracia dos bancos para que o pequeno agricultor tenha acesso ao crédito. O Fundo de Aval do Pronaf prometido pelo presidente Fernando Henrique ainda está em estudos, segundo informou o ministro.
Os outros países do Mercosul também vão realizar seminários sobre Agricultura Familiar para a harmonização de políticas. As propostas de cada um serão apresentadas em julho no Seminário Regional.
A integração do Brasil no processo de integração internacional na Organização Mundial do Comércio (OMC) e na Área de Livre Comércio das Américas (Alca) também foi debatida no seminário que será encerrado hoje à tarde.
O vice-presidente da Contag pediu que o governo abra o debate com a sociedade sobre a integração na Alca, ressaltando que é preciso primeiro fortalecer o Mercosul para depois se pensar na integração com outros países.
O ministro Arlindo Porto ressaltou que o Mercosul precisa negociar como bloco na Alca e não com posições individuais dos países. ‘‘Hoje não dá para desconhecer que o Mercosul caminha num processo de consolidação e se não nos organizarmos como bloco, não seremos competitivos’’, concluiu.

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