Curitiba - ''Ainda que tenha sido colocado como uma derrota do governo, não há porque assumir como derrota, já que o processo de revisão do Código não se encerrou com a votação de ontem (terça-feira)''. A avaliação foi feita ontem pelo diretor do Departamento de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João de Deus Medeiros, na abertura da Semana Nacional da Mata Atlântica, que está sendo realizada em Curitiba. De acordo com ele, o governo federal pretende centrar seus esforços, agora, junto ao Senado, em uma nova tentativa para que as mudanças defendidas por ele sejam incluídas no novo Código Florestal, aprovado na terça-feira pela Câmara Federal.
Nessa segunda etapa, segundo ele, o governo deve ter preocupação ''redobrada'' para qualificar o debate e fugir da polarização em torno das demandas de ambientalistas e ruralistas ou, ainda, que a discussão se resuma em uma tentativa de criar mecanismos para resolver passivos ambientais.
Para Medeiros, durante a tramitação do projeto no Congresso o governo teve oportunidade de aprofundar o debate e deixar claro sua posição, externada pela presidenta Dilma Rousseff (PT) tanto em campanha como nas duas últimas semanas em reuniões com lideranças políticas e da sociedade. ''Está clara a posição de compromisso do governo com a sustentabilidade e essa vai ser a linha de atuação nesse processo para fazer com que, na medida do possível, consigamos inserir o máximo das demandas do governo'', disse.
No Senado, no entanto, o governo deve encontrar mais resistência. O senador Luiz Henrique (PMDB), ex-governador de Santa Catarina, que tem interesse em ser o relator do projeto na Casa, já externou posicionamento contrário aos intereses do governo. A diferença, segundo ele, é que, ao contrário da Câmara, no Senado o projeto deve passar por análise em duas comisões, com duas relatorias. ''Significa que teremos dois relatores. Se ele for um, ainda terá outro que, esperamos, faça o contraponto'', afimrou.
Áreas de risco
Noventa por cento das áreas atingidas severamente por enchentes e deslizamentos no País são de áreas de preservação permanente, que não deveriam estar ocupadas por agricultura, moradias ou prédios públicos. É o que revela relatório elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente e lançado, ontem, durante a Semana Nacional do Meio Ambiente em Curitiba.
Segundo o coordenador do estudo e consultor do ministério, Wigold Schaffer, isso pode ser comprovado nas últimas tragédias vividas no Brasil. ''Tanto na área serrana do Rio de Janeiro, como aqui no Paraná, as áreas afetadas eram de preservação permanente'', disse ele, ressaltando que o documento serve de alerta para os governos, pois seria mais barato atuar no sentido da prevenção.

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