Governo teve superávit de R$ 3,4 bilhões em maio
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quarta-feira, 27 de junho de 2001
Agência Estado De Brasília 
O governo ainda não vai reduzir seus gastos este ano por causa do impacto do racionamento de energia elétrica e da instabilidade internacional sobre a economia. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Fábio Barbosa, a arrecadação obtida até junho ficou exatamente dentro do esperado pelo governo e não indica a necessidade de nenhum ajuste nos limites de despesas dos ministérios.
Prova disso foi o resultado das contas do Tesouro, Previdência Social e Banco Central (BC) obtido em maio. O superávit no mês foi de R$ 3,5 bilhões, acumulando um saldo positivo de R$ 16,8 bilhões no ano. Já estamos cumprindo a meta prevista para agosto no decreto de programação de gastos, comemorou Barbosa.
A decisão de não mexer nos limites de despesas dos ministérios permitirá ao governo continuar gastando mais que no ano passado.
Isso significa mais gasto social e mais investimento, segundo ele. De acordo com os dados divulgados ontem, as despesas de custeio e investimento cresceram 26% de janeiro a maio deste ano quando comparadas ao mesmo período do ano passado, saltando de R$ 14,3 bilhões em 2000 para R$ 18 bilhões em 2001.
A fonte para esses gastos maiores em tempo de ajuste fiscal está na arrecadação que o governo obteve este ano com as concessões na área de telefonia e o recebimento de dividendos de empresas estatais. Somadas, essas receitas foram R$ 4,8 bilhões superiores ao que entrou no caixa do Tesouro Nacional no mesmo período do ano passado. Ou seja, R$ 3,7 bilhões desses gastos financiaram a expansão no custeio e investimento dos ministérios, enquanto uma parcela menor, de cerca de R$ 1 bilhão, foi usada para aumentar o resultado fiscal ou financiar outras despesas.
Se a equipe econômica fosse frear as despesas, o Ministério da Saúde deixaria de receber cerca de R$ 200 milhões por mês, quantia extra que já foi transferida entre janeiro e maio.
Os cortes de gastos, entretanto, não estão descartados. O secretário do Tesouro explicou que se a arrecadação se desviar das projeções do governo num valor que coloque em risco o cumprimento das metas, o limite de despesas será reduzido. Não abrimos mão de alcançar as metas, resumiu Barbosa.
A expectativa do anúncio de cortes de gastos se tornou mais forte depois que o governo decidiu rever os parâmetros de crescimento, dólar e outras variáveis, incorporando os efeitos do racionamento.


