Governo terá de 'andar sobre gelo' para cumprir metas
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terça-feira, 09 de março de 1999
Agência Folha 
O governo terá que andar sobre o gelo - para usar uma expressão recente do presidente FHC - sem cair para que se confirmem os cenários e projeções para 99 incluídos no acordo com o FMI. Muita coisa tem que dar certo ao mesmo tempo para que o País deixe o atual círculo vicioso, de déficit público, juros altos e ameaça inflacionária, em direção ao círculo virtuoso projetado para o segundo semestre. Isso se daria da seguinte forma, segundo as previsões oficiais: a economia chegaria ao fundo do poço neste primeiro semestre, mas o desemprego e a perda de poder aquisitivo seriam suficientes para domar a inflação.
Passado esse purgatório econômico, a tendência de baixa da inflação no segundo semestre permitiria a queda das taxas de juros e a retomada da atividade econômica. O dólar cairia a R$ 1,70 em dezembro, mas estaria valorizado o suficiente para estimular as exportações e diminuir a dependência do País em relação a capitais externos. Com mais credibilidade, o governo poderia ajustar as contas públicas em dois anos.
Todas essas estimativas devem ser vistas com cuidado. Primeiro, porque a economia é uma ciência mais hábil em interpretar o passado do que em prever o futuro. Segundo, governos, quase por ofício, são otimistas. Imprevistos como atrasos em votações no Congresso, crises políticas e variações no cenário internacional podem comprometer a credibilidade da política econômica e fazer o dólar subir, levando junto a inflação e os juros.
Basta que, por exemplo, a inflação supere a meta do governo para derrubar todas as outras projeções. A cotação do dólar, a taxa de juros e o déficit público subiriam com os preços.


