É uma das maiores privatizações de todo o mundo, em todos os tempos. Se não houver qualquer ágio (e as previsões são de que haverá ágio elevado em alguns casos), o governo federal vai arrecadar R$ 13,47 bilhões com a venda dos 15% das ações que possui do Sistema Telebrás. É o equivalente à metade do que foi arrecadado até agora em todo o processo de privatização na esfera federal, envolvendo 56 empresas - US$ 26,7 bilhões. É o dobro do valor da venda da maior empresa até aqui, a Companhia Vale do Rio Doce, que saiu por US$ 6,85 bilhões.
O leilão começa hoje às 10 horas, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Serão oferecidas 64.405.151.125 de ações ordinárias de cada uma das 12 companhias criadas a partir da cisão da Telebrás. Isso representa 51,79% do capital com direito a voto de cada uma das 12 empresas.
A Telebrás possui cerca de 77% do capital das empresas de telecomunicações e o governo federal tem 19,26% das ações da Telebrás. Assim, no leilão serão ofertados apenas 14,8% do valor total das teles. O restante das ações já está privatizado e pulverizado entre mais de 3,5 milhões de acionistas.
As ações ordinárias serão ofertadas em três grupos de quatro empresas cada. Em outra etapa, entre 29 de julho e 30 novembro, serão oferecidos aos empregados das companhias do Sistema Telebrás lotes de ações preferenciais (sem direito a voto), equivalentes a 2,18% do capital social.
O leilão será em duas fases: a primeira, por meio de lances apresentados em envelopes fechados e a segunda, a viva-voz, no caso de haver, nos envelopes, uma ou mais ofertas com valor igual ou superior a 95%. O pagamento das ações ordinárias será feito em reais, à vista ou em três parcelas. Só serão aceitos cheques do Rio de Janeiro ou de São Paulo.
Algumas das maiores empresas de telecomunicações do mundo estão entre as interessadas no leilão da Telebrás, como a British Telecommunications, France Telecom, Portugal Telecom e MCI Communication Corporation. O mercado mundial estará observando atentatamente o desenrolar do leilão.
Os sindicatos dos trabalhadores das empresas telefônicas e os partidos de oposição ao governo federal vêm há meses abarrotando a Justiça com ações para impedir ou, no mínimo, retardar a privatização do Sistema Telebrás. E eles insistirão na estratégia até os últimos minutos antes da desestatização da última tele.
O argumento básico são as supostas irregularidades no processo, desde a convocação e realização da assembléia de acionistas em que foi aprovada a cisão da Telebrás em 12 holdings, até o preço mínimo, considerado ‘‘vil’’. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério das Comunicações estão mobilizando um pelotão de 400 advogados para derrubar as ações na Justiça.
Os 3,5 milhões de acionistas da Telebrás - todos os brasileiros que compraram telefones pelos antigos planos de expansão - não precisarão adotar nenhuma providência para efetuar a troca de seus papéis pelas ações das 12 holdings que irão suceder a estatal. A empresa trabalha com ações escriturais e a troca ocorrerá automaticamente nos sistemas dos bancos que fazem a custódia das ações. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) divulgou uma cartilha com perguntas e respostas para esclarecer os acionistas.

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