Governo tenta conter especulação elevando compulsório para 20%
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segunda-feira, 24 de junho de 2002
Agência Folha 
Brasília - O Conselho Monetário Nacional (CMN) elevou ontem a parcela de recursos depositados em cadernetas de poupança que os bancos são obrigados a recolher ao Banco Central. O objetivo é retirar R$ 6 bilhões que estão nas mãos das instituições financeiras, na tentativa de reduzir a pressão sobre a cotação do dólar.
Os bancos possuem cerca de R$ 120 bilhões em depósitos em poupança. Até a semana passada, as instituições financeiras eram obrigadas a recolher 15% desse total ao Banco Central. Ontem, o CMN decidiu aumentar esse percentual para 20%. Ou seja, de cada R$ 1 mil depositados em poupança, os bancos terão de deixar R$ 200,00 no BC. Pelo dinheiro recolhido, os bancos recebem do BC uma remuneração igual à oferecida aos poupadores: a variação da TR (Taxa Referencial) mais juros de 0,5% ao mês.
Há dez dias, o governo preparou um minipacote econômico para tentar conter o nervosismo do mercado financeiro. Naquela ocasião, o BC já havia adotado medida semelhante à anunciada ontem, ao elevar de 10% para 15% a alíquota do recolhimento compulsório que incide sobre os depósitos a prazo (principalmente CDB, Certificado de Depósito Bancário). O objetivo da elevação do recolhimento era tirar de circulação R$ 6,5 bilhões que poderiam ser utilizados para comprar dólares.
Ao aumentar a alíquota do recolhimento sobre depósitos em poupança, o governo sinaliza que o nervosismo do mercado era tanto que alguns bancos estavam usando dinheiro captado pelas cadernetas para operar no mercado de câmbio. O aumento do recolhimento não altera a rentabilidade da caderneta, e os poupadores não devem sentir a diferença. O impacto maior será sentido pelas instituições financeiras.
Os bancos são obrigados a destinar 65% dos recursos captados pela poupança para o financiamento da casa própria. Com a mudança de ontem, 20% dos depósitos são transferidos para o BC. Isso significa que sobram apenas 15% que podem ser usados livremente pelos bancos.
O aumento do recolhimento compulsório pode levar à elevação dos juros cobrados pelos bancos nos empréstimos concedidos aos seus clientes.


