Em agosto, o Governo Central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social) teve um superávit primário de R$ 5,4 bilhões. Este resultado, no entanto, só pôde ser obtido graças à receita de concessão dos serviços da Telebrás, que chegou a R$ 5,3 bilhões. Com estes recursos, o superávit do Tesouro Nacional e do Banco Central, isoladamente, chegou a R$ 5,9 bilhões no mês. Mas o resultado foi reduzido pelo déficit de R$ 452 milhões da Previdência Social.
Nos oito primeiros meses do ano, impulsionado pela concessão dos serviços do Sistema Telebrás, o Governo Central acumula o superávit primário de R$ 6,7 bilhões, o correpondente a 1,12% do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo período do ano passado, este resultado havia sido positivo em R$ 4 bilhões (0,70% do PIB). A Previdência Social, no entanto, acumulou um déficit de R$ 3 bilhões até agosto último enquanto, em igual período do ano passado, este resultado havia ficado negativo em R$ 351 milhões.
‘‘O esforço de geração de um superávit primário é sempre minado pela Previdência Social’’, afirmou o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, salientando que ‘‘o Congresso Nacional pode liquidar a aprovação da reforma previdenciária em poucas sessões porque só faltam três destaques’’.
Os números divulgados ontem pelo ministério comprovam, entretanto, que, além dos desequilíbrios da Previdência, a promessa do governo de reduzir seus custos não tem surtido efeito. Este ano as despesas cresceram 17,9%. Até agosto, o total destas despesas foi de R$ 97,7 bilhões ante os R$ 82,9 bilhões gastos no mesmo período do ano passado. Em relação ao PIB, as despesas saíram de uma parcela de 14,62% para representar 16,26% do produto. Somente com pessoal, os gastos nestes períodos saltaram de R$ 27 bilhões para R$ 31,3 bilhões. Ou de 4,76% para 5,21% do PIB.
No mês de agosto, as despesas com pessoal atingiram R$ 3,6 bilhões representando uma pequena elevação em relação a julho último, quando tinham ficado em R$ 3,5 bilhões.

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