Governo tem superávit em agosto
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quarta-feira, 27 de setembro de 2000
Agência Estado De Brasília 
O governo central, que inclui as contas do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central, registrou em agosto superávit primário (receitas menos despesas sem considerar os gastos com juros) de R$ 3,217 bilhões. No acumulado do ano, o resultado é de R$ 18,985 bilhões, o equivalente a 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas no País). A coordenadora-geral de Estudos Econômico-Fiscais do Tesouro, Ana Teresa de Albuquerque, disse que o governo brasileiro está próximo do cumprimento e deve superar a meta anual de 2,7% para o superávit primário acertada com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
A redução do ritmo de crescimento dos benefícios concedidos pela Previdência Social e a diminuição de gastos com pessoal e encargos sociais foram apontados pela coordenadora como pontos positivos para o desempenho das contas no mês de análise. Mas o pagamento da última parcela referente à concessão do sistema Telebrás no valor de R$ 2,8 bilhões também contribuiu para chegar ao resultado primário.
O Tesouro Nacional obteve, isoladamente, superávit de R$ 3,823 bilhões, em agosto, ante R$ 1,078 bilhões no mês anterior. A Previdência Social e o Banco Central registraram déficit de R$ 598,8 milhões e R$ 7,3 milhões, respectivamente. O déficit da Previdência vem se mantendo menor do que os níveis do ano passado, segundo informou a coordenadora.
De acordo com relatório do Tesouro Nacional, a taxa de crescimento de benefícios concedidos em dezembro de 1998 era de 4% e caiu para 3,7% em agosto deste ano. Esse já é um reflexo da Reforma da Previdência que aumentou a idade média para a concessão de benefícios. O registro de entrada de receitas provenientes de depósitos judiciais e a melhora na arrecadação são os principais motivos para recuperação das contas do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Estamos verificando um esforço de recuperação de receitas da Previdência, disse. Neste mês tivemos R$ 129 milhões de receitas adicionadas à Previdência por conta deste esforço. As despesas com pessoal e encargos sociais encolheram em cerca de R$ 1 bilhão na comparação entre julho e agosto, passando de R$ 5 116 bilhões para R$ 4,178. Isso fez com que a despesa total do Governo Central, que inclui benefícios previdenciários, custeio e capital e pessoal e encargos, fosse menor em R$ 800 milhões. Mesmo assim os gastos com essa rubrica ainda continuam maiores do que no mesmo período do ano passado.
Ana Teresa explicou que há um crescimento natural dessas despesas, além da concessão de 28,68% de reajuste salarial para algumas categorias que é incorporada ao total de gastos.


