São Paulo - O governo tem cerca de R$ 22 bilhões para gastar nos dois últimos meses do ano em investimentos e outros gastos não obrigatórios. Com esse dinheiro, daria para vacinar 66 vezes todo o rebanho brasileiro, de cerca de 198 milhões de cabeças de gado, ou duplicar o trecho rodoviário da BR 116 a Régis Bittencourt, também conhecida como rodovia da morte 22 vezes. Daria até para fazer um projeto caro, como a transposição do Rio São Francisco, 5 vezes.
Segundo projeções de economistas feitas para a Agência Estado, o governo precisa gastar entre R$ 22 bilhões e R$ 25,2 bilhões em novembro e dezembro se quiser repetir o superávit primário do ano passado, que foi de 4,59% do Produto Interno Bruto (PIB) - acima da meta de 4,25% deste ano. Esse montante já exclui os gastos obrigatórios, que consomem mais de 90% do orçamento como Previdência, pessoal, seguro-desemprego, subsídios e subvenções econômicas. O valor refere-se apenas a gastos sobre os quais o governo tem alguma flexibilidade.
''Essa sobra é enorme. Agora, se a idéia for atingir apenas a meta de superávit de 4,25%, como propõem alguns integrantes do governo, então a quantia é monstruosa'', diz Fernando Montero, economista da Corretora Convenção, com a ressalva de que, tradicionalmente, os gastos se aceleram no fim do ano. ''Trata-se de mais de 1 ponto porcentual do PIB concentrado em apenas dois meses.'' Em média, gastos discricionários e investimentos consumiram R$ 6,8 bilhões por mês neste ano, até setembro.
De acordo com os economistas, há um acúmulo de recursos para serem gastos no fim do ano por três motivos: o superávit está bem acima da meta, a arrecadação também cresceu muito e os ministérios não gastaram grande parte dos recursos previstos, por contingenciamento ou ineficiência.
Em primeiro lugar, o superávit acumulado é recorde foi de 5,16% do PIB nos últimos 12 meses e de 6,1% do PIB no ano até setembro. O porcentual está bem acima da meta de 4,25% e até dos 5% que a área econômica quer alcançar. Esse superávit não se deve a corte nos gastos. Segundo o especialista em finanças públicas Raul Velloso, a previsão é que os gastos obrigatórios não-financeiros (fora juros) subam 15,5% no ano, comparados com 2004.

mockup