Governo tem preocupação excessiva com inflação
O economista do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) Sandro Silva não acredita que o governo utilize a Selic para manter investimentos estrangeiros. "Seria muito pior. Com isso, o governo valoriza novamente o real e o resultado é um efeito ruim na balança comercial. Os produtos brasileiros perdem competitividade", declara.
Para Silva, o Banco Central eleva juros porque tem uma preocupação excessiva com a inflação. "Desde o ano passado, a inflação vem caindo. Deu um repique em dezembro, que foi compensado em janeiro", recorda. O economista diz que a inflação está concentrada em alguns itens não relacionados à demanda e, por isso, não respondem ao aumento dos juros. "A nossa inflação está mais relacionada com situações sazonais de clima e sua repercussão sobre os preços dos alimentos", acredita.
Ele desaprova o aumento da Selic. "Quem tem dinheiro para investir vai pensar duas vezes e preferir deixá-lo no banco", afirma. Outro fator "nefasto", segundo ele, é o efeito dos juros altos sobre as contas públicas. "Quanto mais alta a Selic, mais o governo vai pagar de juros da dívida interna e menos vai ter para investir em outras áreas", declara.
Caixa Econômica
Consultora de Plataforma de Investimento da Superintendência da Caixa Econômica de Londrina, Rosi Alfieri diz que o aumento da Selic teve pouca repercussão sobre os juros reais praticados pelo banco. "A taxa do cartão de crédito vai de 2,85% a 5,65% ao mês. Antes (de o governo forçar a baixa dos juros), chegava a 14%", afirma. Um CDC (crédito direto ao consumidor), de acordo com ela, tem juros na faixa de 2,66% a 3,7%.
Segundo a consultora, o momento é bom para investimentos porque neles a Selic tem grande repercussão. "A poupança chega a pagar 0,64% ao mês. Um LCI (Letras de Crédito Imobiliário) chega a pagar 96% do CDI", conta. (N.B.)





