Governo suspende operações no Tevecon
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terça-feira, 04 de agosto de 1998
Carmem Murara e Vânia Casado 
O governo do Estado cancelou ontem, por tempo indeterminado, a entrada em operação da iniciativa privada no Terminal de Veículos e Contêineres (Tevecon) do Porto de Paranaguá. A decisão foi tomada a menos de quatro horas do carregamento do primeiro navio de contêineres que seria feito pelo consórcio Redram/Transbrasa. O governador Jaime Lerner suspendeu até que se resolva o impasse entre os arrumadores e a empresa, afirmou o superintendente do Porto de Paranaguá, Osires Stenghel Guimarães. Durante todo o dia, os portuários se mantiveram em frente ao portão do terminal portuário fazendo um protesto contra a Redram e governo.
Mauro FrassonMau começoO diretor comercial do Tevecon, Ruy Giublin: Foi um recuoO superintendente Osires Stenghel Guimarães garantiu aos portuários que nada vai mudar, temporariamente, na operação do Tevecon. Não podemos admitir uma greve neste momento, pois isso implicaria prejuízos para o Porto, afirmou. Guimarães calcula que a perda diária para o Porto seria de R$ 300 mil e para a economia estadual, de R$ 800 mil. Segundo Guimarães, os dois lados vão ter de se entender.
O impasse está na forma de requisitar mão-de-obra. Os arrumadores não aceitam a mudança na contratação de trabalho, que hoje é feita em sistema de rodízio e que garante emprego aos 1,1 mil arrumadores. A proposta da Redram/Transbrasa é contratar 50 arrumadores, que passariam a trabalhar num regime fixo com carteira assinada e por tempo indeterminado.
A contratação de arrumadores fixos está prevista no contrato assinado entre o consórcio e a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), quando o grupo venceu a concorrência pública. Esse método representa praticamente o fim da categoria profissional dos arrumadores, avalia o sindicato da categoria.
O sistema é utilizado em outros terminais portuários do País, como em Santos e no Rio de Janeiro. A Redram não parece querer adotar o método antigo. Não há possibilidade de qualquer mudança, pois nós temos que pensar na redução dos custos e na produtividade, afirmou, ontem, o diretor comercial do Tevecon, Ruy Sérgio Giublin. Um arrumador custa hoje R$ 700 pelo método do rodízio. Pela contratação fixa, ele receberia cerca de R$ 400. A remuneração paga a um arrumador por contêiner movimentado cai de R$ 3,50 para R$ 0,35.
Os arrumadores não aceitam a redução. Numa reunião com os diretores da Redram, eles tentaram convencer o grupo a manter o sistema tradicional. O clima era de preocupação por parte dos arrumadores. Eu estou desesperado. Não tenho estudo e não vou conseguir outro emprego, se a única coisa que eu sei fazer é carregar saco na cabeça e engatar contêiner, falou, quase chorando, o arrumador Leonardo Vicente ao diretor comercial do Tevecon. O presidente do sindicato, Sérgio Mendes, disse que se prevalecer o sistema da Redran 1.050 arrumadores deixarão de trabalhar no Tevecon.
Se prevalecer a vontade do consórcio, o trabalho para os arrumadores contratados no sistema de rodízio ficará restrito ao embarque e desembarque de carga geral e grãos, o que representa 75% da movimentação portuária em Paranaguá. A operação com contêiner ainda é pequena no Porto, mas há uma tendência de crescimento. Num curto espaço de tempo tudo vai ser contêiner. E aí a gente não terá emprego, afirmou o presidente do sindicato.


