Fernando Godinho
Agência Folha
Na tentativa de forçar uma redução no preço do álcool combustível, o governo cancelou o financiamento à estocagem do produto feita pelos usineiros. Isso poderá jogar no mercado, de imediato, 260 milhões de litros de álcool. A venda de parte dos estoques em poder do governo, a importação do produto e a mistura de outros combustíveis à gasolina são medidas que poderão ser anunciadas em até duas semanas.
Ontem, o Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool anunciou que o
governo suspendeu a liberação de R$ 40 milhões destinados ao financiamento da estocagem de 260 milhões de litros do produto (que serão, portanto, vendidos imediatamente).
Os contratos já assinados financiaram o armazenamento de 760 milhões de
litros e consumiram R$ 160 milhões. Eles não serão mais renovados a partir de dezembro, e o governo acredita que os usineiros terão que vender o produto que está estocado.
Em dezembro, calcula o Cima, poderá haver uma liberação adicional de 80
milhões de litros de álcool com o fim da renovação dos contratos
existentes.
Ou seja: as medidas anunciadas ontem pelo Cima sinalizam a liberação de
1,02 bilhão de litros em até um ano.
O álcool combustível começou a subir neste mês, após o governo ter acabado com o subsídio de R$ 0,045 por litro pago aos usineiros. Em algumas
cidades, o preço do produto chegou a aumentar 50%. O preço da gasolina também subiu, mas o subsídio do álcool que é misturado nesse combustível continua sendo pago. O ministro Rodolpho Tourinho (Minas e Energia) considera que esses aumentos são ‘‘especulação dos postos e dos distribuidoras’’ de combustível.
Ele calcula que o reajuste do álcool não poderia ser superior a 10%. Para o Cima, um reajuste aceitável ficaria entre 5% e 6%. O secretário-executivo do Cima e do Ministério da Agricultura, Márcio Fortes de Almeida, disse hoje que o governo ainda não tem ‘‘sustentação técnica’’ para determinar o leilão dos seus estoques e autorizar a importação de álcool combustível.
Uma comissão formada hoje vai definir que quantidades poderão ser
leiloadas (o governo possui um estoque regulador de 2 bilhões de litros), quando isso ocorrerá e quem poderá participar do leilão. Para a importação do produto, essa comissão também definirá as alíquotas adequadas, além de prazos e volumes necessários para equilibrar a oferta do produto.
Outra discussão será em torno da autorização para que o metanol e o etanol sejam misturados na gasolina, em substituição ao álcool anidro. Essa
mistura foi utilizada no país até 1997. ‘‘As medidas serão adotadas com
maior ou menor intensidade. Nossa preocupação é com o consumidor, e o
fundamental é estabelecer o equilíbrio entre oferta e demanda para
assegurar o abastecimento do mercado’’, disse Márcio Fortes de Almeida.

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