Governo sobe IOF para segurar consumo
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sexta-feira, 02 de maio de 1997
Agência Estado de São Paulo 
Arquivo FolhaO alvoO secretário Mendonça de Barros: objetivo é direcionar melhor os gastos da populaçãoA partir de segunda-feira (04) todas as operações de crédito para pessoa física - crédito direto ao consumidor (CDC), cartão de crédito e cheque especial, entre outros - estarão mais caros. O governo aumentou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% ao ano para 15% ao ano. A expectativa da equipe econômica é de que esta medida tenha um impacto suave sobre o consumo de bens duráveis financiados, especialmente eletrodomésticos e automóveis. Os mais afetados serão os financiamentos entre 6 e 12 meses, de acordo com o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros.
O presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, explicou que o crediário bancado pelo varejo com recursos próprios fica fora desta medida, pois não é um financiamento proveniente do sistema financeiro. Quando a operação envolver intermediação financeira (repasse de crédito por banco, financeira ou empresas de factoring), haverá incidência do novo IOF. Concluímos que o setor de bens de consumo durável estava com vendas bastante elevadas, observou Loyola, classificando esta medida como de prudência. Preferimos agir com antecipação, acrescentou. Este aumento da alíquota de IOF foi assinado ontem pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, dentro de uma medida mais ampla que consolida toda a legislação de IOF.
Mendonça de Barros disse que entre o arsenal de medidas possíveis esta é a que traz impactos mais suaves, o que condiz com nossa avaliação de que não há um aquecimento excessivo da economia. Segundo ele, reduzir o número de prestações teria um efeito muito mais forte. O secretário explicou que o objetivo é direcionar melhor os gastos da população. O governo, diz ele, gostaria que aumentassem os gastos com construção civil (compra ou construção de moradia, por exemplo) e fossem reduzidos os financiamentos direcionados à aquisição de bens duráveis. Essa medida ajuda a ajustar os gastos, observou.
O impacto do aumento do IOF de 6% para 15% tem peso menor nos financiamentos mais curtos (dois a três meses) e naqueles superiores a um ano. De acordo com o presidente do BC, o custo diário do IOF de 15% ao ano é de 0,0411%. Como o IOF é uma taxa que se calcula pelo número de dias do financiamento, o impacto nos primeiros meses é pequeno. Depois de um ano, diz, o custo pára de crescer e fica constante em 15%. Um financiamento de um ano paga IOF de 15% e um financiamento de 15 meses paga também 15%, segundo Loyola.
O secretário de Política Econômica negou que a medida reflita preocupações do governo com o crescimento do déficit da balança comercial, que este ano pode ser mais do que o dobro dos US$ 5, bilhões do ano passado. É uma medida de sintonia fina, para reequilibrar a demanda como um todo, insistiu Mendonça de Barros.


