São Paulo - Produtores de leite e representantes do Ministério da Agricultura discutirão, na próxima terça-feira, às 14 horas em Brasília, a concordata da Parmalat na Itália.
Além de avaliar as consequências da crise internacional da Parmalat sobre o mercado brasileiro de laticínios, o governo pretende discutir com produtores de leite quais medidas poderão ser adotadas para evitar prejuízos ao setor.
Uma das maiores preocupações do governo é com os pequenos produtores, que, em muitas regiões, trabalham quase que exclusivamente para a gigante italiana de leite. A produção leiteira no Brasil é pulverizada. Da produção anual inspecionada de 14 bilhões de litros por ano, a Parmalat Brasil é responsável pela captação de cerca de um bilhão de litros, segundo informações da Secretaria de Política Agrícola do ministério.
O temor em relação à Parmalat Brasil faz sentido. No início desta semana, a companhia deu o primeiro calote no País desde que foram descobertas irregularidades contábeis na matriz italiana.
A subsidiária brasileira deixou de pagar uma dívida de R$ 2,3 milhões que tem com um grupo de 11 cooperativas de Itaperuna, no interior do Rio.
A dívida venceu dia 15, mas a Parmalat do Brasil havia acertado o pagamento para segunda-feira (29). A indústria de alimentos, por sua vez, informou que quitou, na terça-feira (30), 30% dessa dívida que mantém com as 11 cooperativas.
A expectativa é que os pecuaristas se reúnam na próxima semana com o presidente da Parmalat Brasil, Ricardo Gonçalves, para tentar resolver o problema e avaliar a real situação dos negócios da empresa no País.
De acordo com o secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Lineu Costa Lima, a reunião marcada para ocorrer no ministério foi solicitada pelo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues.
A Parmalat é a única empresa a atuar em todo o território nacional com a comercialização de leite fluido. A empresa está presente também nos mercados de biscoitos, sucos prontos e vegetais. Seus itens chegam ao mercado sob as marcas Parmalat, Santal, Etti e Alimba. Entre suas principais concorrentes globais, destacam-se a Nestlé, Danone e Unilever.
Recentemente, a companhia italiana entrou em concordata, com rombo estimado em mais de 10 bilhões de euros (US$ 12,5 bilhões).
A Parmalat iniciou suas operações no Brasil em 1972, onde controla empresas como a Batavo, cuja divisão de carnes (Frigorífico Batávia) foi alienada à Perdigão em março de 2001. De capital aberto, a companhia contabilizou uma receita líquida de R$ 1,278 bilhão de janeiro a setembro de 2003, valor 7,8% superior ao registrado nos mesmos meses de 2002. No período, amargou um prejuízo líquido de R$ 79,9 milhões, ante os R$ 174,8 milhões anotados em igual período do ano anterior.

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