A privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel) - assunto descartado dentro do governo do Estado até poucos meses atrás - começa a se transformar em realidade. O presidente da Copel, Ingo Hubert, e o secretário do Planejamento, Miguel Salomão, só estão esperando o governador Jaime Lerner retornar de sua viagem à África do Sul, nesta quinta-feira, para entregar a ele um relatório que sugere a venda da Copel.
A possibilidade de passar a companhia para a iniciativa privada foi confirmada por Hubert, em entrevista publicada ontem no jornal ‘Gazeta Mercantil’. Hubert viajou ontem para São Paulo e a assessoria informou que somente ele poderia falar sobre o assunto.
Para privatizar a Copel, o governo do Estado vai depender da alteração da lei que autorizou a venda parcial das ações. O projeto de lei aprovado em 1995 permite que o governo do Estado venda 100% das ações preferenciais (sem direito a voto) e 40% das ações ordinárias (com direito a voto). Até agora, foram feitas três operações de venda de ações da Copel, sendo uma na Bolsa de Valores de Nova York.
Por enquanto o projeto para vender a Copel não chegou à Assembléia Legislativa. Tanto os deputados da oposição quanto os da situação afirmaram ontem que desconheciam qualquer intenção do governo do Estado. ‘‘Este assunto é novo e não chegou aqui’’, assegurou o líder do governo, deputado Valdir Rossoni (PTB).
Caso o governo queira alterar a lei, não vai ter maiores problemas com os deputados, pois a bancada governista é formada pela maioria esmagadora dos 54 parlamentares. Apenas os deputados do PT e parte do PMDB representam a oposição.
Mesmo com número inexpressivo de deputados, a oposição promete fazer barulho contra a privatização da Copel. O deputado Ângelo Vanhoni (PT) disse que a intenção de privatizar a companhia de energia reforça a tese de que o Estado está com dificuldades financeiras. ‘‘Colocar a empresa à venda neste momento em que as Bolsas estão em queda é uma irresponsabilidade’’, afirmou Vanhoni.
Ao sugerir a venda da Copel, o presidente da companhia disse que é uma maneira de manter a empresa ‘‘competitiva’’. Segundo o jornal ‘Gazeta Mercantil’, Hubert disse que as novas regras de mercado exigem que as estatais passem para o controle da iniciativa privada.
O assunto da privatização está centralizado nas mãos de poucas pessoas do governo. O projeto sequer está em análise pela diretoria da Copel ou da Secretaria do Planejamento. ‘‘Quem está tratando deste assunto aqui é apenas o secretário Miguel Salomão’’, afirmou, ontem, o secretário interino do Planejamento, Antoninho Caron.

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