Nova York
As declarações da secretária-executiva do Ministério do Meio Ambiente sobre o lançamento de uma nova versão do Proálcool, anteontem em Nova York, causaram mal-estar na cúpula do governo. A secretária, Aspásia Camargo, havia dito que novos carros oficiais seriam movidos a álcool, que táxis a álcool teriam incentivo e que consórcios de carros a álcool teriam prazo maior. ‘‘Se ela tem essas informações, eu não tenho’’, afirmou o ministro Gustavo Krause, responsável pela pasta do Meio Ambiente.
‘‘Em nenhum momento pensamos em interferir no consórcio de carros. O que podemos fazer é recomendar ou até determinar que os carros do governo sejam a álcool, mas não queremos mexer nos mecanismos de mercado’’, disse Krause. Ele comentou que, antes de viabilizar qualquer projeto, é preciso criar mecanismos que o viabilizem. ‘‘Em tese, é claro que nossa opção é pela energia renovável, mas tudo tem um preço. Precisamos saber se dá para pagá-lo.’’
O presidente Fernando Henrique Cardoso também negou as declarações de Aspásia. ‘‘Não é o Proálcool, nem eu falei em realizar o projeto de carro a álcool. Apenas vamos incentivar a frota verde. O que o governo está sugerindo é que, preferencialmente, os carros oficiais sejam, é claro, a álcool.’’
‘‘Posso dizer que há algum tempo o governo está se mexendo. Não fosse a proporção de 22% de álcool adicionado no combustível da frota brasileira e a situação ambiental nas grandes cidades seria ainda mais grave’’, disse FHC. Tanto o presidente quanto o ministro negam que pretendam dar novos subsídios aos usineiros. ‘‘Não vai haver subsídio, nada de subsídio’’, repetia Fernando Henrique. ‘‘Chega de usar subsídio para cá e para lᒒ, afirmava Krause.
Mesmo negando os subsídios, o presidente fez questão de defender os usineiros. ‘‘Alguns estão endividados, mas não podemos generalizar. A produção de cana no Estado de São Paulo é uma das melhores do mundo.’’
Outra declaração de Aspásia que causou polêmica foi sobre a criação de um fundo ambiental para financiar a reconversão do sistema energético brasileiro, que seria discutido pelo Congresso no segundo semestre. O ministro Krause também fez questão de negar a informação. ‘‘Ainda é uma conjectura, é muito cedo para falar sobre isto.’’
Em Brasília, o presidente da República interino, Marco Maciel, defendeu o Proálcool. Segundo ele, com o programa, o governo terá condições de incentivar a geração de empregos, as exportações e a preservação do meio ambiente. Em nota oficial, o Ministério da Fazenda, divulgou que o ‘‘compromisso do Executivo com o Proálcool nunca esmoreceu’’. Apesar das declarações em apoio ao programa, nenhuma autoridade disse quando serão - e se serão - postas em prática as propostas em estudos para a reativação do Proálcool.
Uma das propostas em estudo pelo governo, que serviria também para estimular a redução da poluição, é a adoção do imposto verde. A Comissão Interministerial do Álcool, formada por representantes de ministérios ligados ao setor, propôs a cobrança de um imposto dos donos de carros poluidores. A proposta é esclarecer aos consumidores que quem polui deve pagar mais caro. Atualmente, a gasolina é mais cara que o álcool porque parte do valor que é pago na bomba do posto vai para a conta FUP (Fundo de Uniformização de Preço).

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