O goveno federal não pode dizer que foi pego de surpresa com a crise energética de 2001. A possibilidade de colapso de abastecimento de energia e de racionamento de energia já faz parte do discurso das autoridades responsáveis pelo setor elétrico nacional desde pelo menos 1996. Apesar disso, o novo ministro de Minas e Energia, José Jorge, não recebeu esses informes do seu antecessor porque não houve qualquer reunião de transição. O acidente da plataforma P-36 da Petrobras no dia seguinte a sua posse impediu que Jorge recebesse o ministro em exercício, o ex-secretário-executivo do Ministério Hélio Victor Ramos e o secretário de energia demissionário Xisto Vieira Filho.
Na prática, do início de fevereiro até pelo menos a segunda quinzena de março, o Palácio do Planalto deixou de ser informado do desenrolar da situação energética. A crise política entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) afastou o então ministro Rodolpho Tourinho do Palácio. Durante aquele mês ele não se reuniu com Fernando Henrique, nem para ser demitido no dia 21.

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